O corredor parecia mais longo do que nunca. Cada degrau rangia como se quisesse avisar ao mundo que ela estava ali, tentando parecer invisível. Melody subiu as escadas com o corpo encolhido, o xale apertado nos ombros, tentando manter a si mesma inteira, o disfarce ainda pendurado na pele — mas agora não fazia mais sentido nenhum. Só estava ali porque não sabia onde mais poderia estar.
Empurrou a porta do quarto devagar. A maçaneta parecia pesar mais que uma sela inteira. Lá dentro, a bagunça da invasão ainda parecia recente demais. O baú aberto, roupas no chão, as coisas de Duncan espalhadas como pedaços de dignidade pisoteada.
Ela se abaixou, prática, recolhendo uma blusa, dobrando com as mãos que tremiam apesar da tentativa de parecer ocupada. Dobrou, desdobrou, tentou colocar ordem nas coisas, porque era mais fácil organizar pano do que organizar o próprio peito.
No salão do hotel Duncan deu tempo... havia uma ideia em sua mente... uma que talvez desse mais certo do que ele ousar