CAPÍTULO 7

Trevis permaneceu imóvel.

— Quando contei para ele...

Ela enxugou uma lágrima.

— Eu esperava alegria.

Esperava emoção.

Esperava qualquer coisa.

Sua respiração ficou pesada.

— Mas ele parecia incomodado.

As palavras saíram quase como um sussurro.

— Como se aquele bebê fosse um problema.

Trevis sentiu algo apertar dentro de si.

Mas permaneceu em silêncio.

Susan continuou.

Falou das consultas médicas.

Das ultrassonografias.

Dos exames.

Das vezes em que foi sozinha.

Das cadeiras vazias ao seu lado.

Das desculpas repetidas.

Das promessas quebradas.

E então chegou àquela noite.

Ao hospital.

À mulher.

À mentira.

À traição.

Com mãos trêmulas, ela pegou o celular.

Abriu a conversa com Paula.

E entregou o aparelho a Trevis.

Ele assistiu ao vídeo.

Uma vez.

Depois outra.

Seu maxilar se contraiu.

Mas não comentou nada.

Devolveu o celular cuidadosamente.

Susan já chorava abertamente.

Lágrimas escorriam sem parar.

Mas ela continuou falando.

Contando coisas que nunca havia contado.

Nem para os pais.

Nem para Paula.

Nem para ninguém.

Era como se anos de mágoas estivessem finalmente encontrando uma saída.

Quando terminou, sentia-se exausta.

Mas estranhamente mais leve.

Como alguém que carregava uma pedra enorme no peito e finalmente a deixara cair.

O escritório mergulhou em silêncio.

Susan abaixou a cabeça.

As lágrimas continuavam escorrendo.

Trevis permaneceu imóvel.

O olhar fixo nela.

Um nó apertava sua garganta.

Uma sensação amarga crescia dentro dele.

Porque, enquanto ela falava, ele não conseguia parar de pensar em uma única coisa.

Como alguém podia ter recebido um amor tão leal...

E ainda assim tratado aquela mulher daquela maneira?

Pela primeira vez desde que ouvira falar de Durval, Trevis sentiu algo muito próximo do desprezo.

E teve absoluta certeza de uma coisa.

Susan merecia muito mais do que havia recebido até agora.

Do lado de fora do escritório.

A senhora Margareth estava parada junto à parede.

Ou pelo menos tentava parecer que estava apenas passando por ali.

O problema era que, nos últimos quinze minutos, ela havia passado pelo mesmo corredor pelo menos seis vezes.

E nenhuma das empregadas acreditava mais naquela encenação.

Com as duas mãos apoiadas na bengala, a senhora mantinha os ouvidos atentos.

Muito atentos.

Atentos até demais.

E, conforme a voz de Susan chegava até ela através da porta entreaberta, seu semblante mudava.

Primeiro surgiu surpresa.

Depois indignação.

Depois revolta.

E então uma vontade enorme de entrar naquele escritório e puxar as orelhas de um certo comandante de aeronaves.

— Canalha...

murmurou baixinho.

Uma das empregadas arregalou os olhos.

— Senhora?

— Nada.

A senhora ergueu o queixo.

— Continue trabalhando.

Mas a verdade era que Margareth estava cada vez mais revoltada.

Quanto mais ouvia.

Mais revoltada ficava.

Quando Susan começou a chorar, a senhora sentiu um aperto tão forte no peito que precisou fechar os olhos por alguns segundos.

Então ouviu passos se aproximando pelo corredor.

Assustada, afastou-se rapidamente da porta.

Ou pelo menos tentou.

Porque uma senhora de oitenta e dois anos não consegue exatamente desaparecer de um corredor.

Principalmente carregando uma bengala.

— Senhora Margareth?

— Eu estava indo para o jardim!

— Mas o jardim fica do outro lado da casa. — disse a acompanhante dela.

— Pois então devo ter errado o caminho.

A acompanhante segurou uma risada.

— Claro, senhora.

— Não me olhe desse jeito.

— Sim, senhora.

A mulher saiu rapidamente antes de começar a rir.

A senhora Margareth ajeitou a postura.

E seguiu corredor afora com a maior dignidade possível.

Mesmo sabendo que havia sido flagrada.

Dentro do escritório.

O silêncio ainda permanecia.

Susan enxugava discretamente as lágrimas.

Trevis levantou-se da poltrona.

Sem dizer nada, caminhou até o frigobar.

Retirou uma garrafa de água.

Pegou um copo.

E o encheu.

Depois voltou.

Entregou-o a ela.

— Beba.

Susan aceitou.

— Obrigada.

— Você precisa se acalmar.

Ela assentiu.

— Eu sei.

— Não pode ficar nervosa.

O olhar dele deslizou para Malcollys.

— Agora não é só você.

Susan acompanhou seu olhar.

E sorriu para o filho.

Tomou alguns goles de água.

Sentindo-se um pouco melhor.

Trevis observou por alguns segundos.

Então se levantou novamente.

— Preciso fazer um telefonema.

Susan assentiu.

— Claro.

Ele caminhou até a porta.

Mas, quando já estava com a mão na maçaneta, parou.

Algo lhe ocorreu.

Virou-se.

— Susan.

— Sim!

— Qual é o nome completo do seu marido?

Ela piscou surpresa.

— Durval Rios.

— Completo.

— Durval Moura Rios.

Ele assentiu.

— E para qual empresa ele trabalha?

Susan informou.

Trevis guardou a informação.

— Obrigado.

Ela franziu levemente a testa.

— Por quê?

Mas ele apenas sorriu.

— Já volto.

E saiu.

Alguns minutos depois.

Trevis caminhava lentamente pelo jardin da propriedade.

As mãos dentro dos bolsos.

O rosto sério.

Quando chegou a uma área mais afastada da casa, retirou o celular.

Olhou ao redor.

Certificou-se de que não havia ninguém por perto.

Então fez a ligação.

A chamada foi atendida rapidamente.

— Senhor Kinly.

Trevis não perdeu tempo.

— Quero tudo sobre um homem.

— Nome…! Durval Moura Rios.

Do outro lado, houve silêncio.

A pessoa claramente aguardava mais informações.

— Comandante de aeronaves.

Trevis continuou.

— Trabalha para uma companhia aérea com operações no Santos Dumont.

Sua voz tornou-se ainda mais firme.

— Ontem à noite foi visto acompanhando uma mulher em um hospital.

— Entendido.

— Quero saber tudo.

Absolutamente tudo.

— Certo.

— Desde o dia em que nasceu.

Uma breve pausa.

— E quero isso com urgência.

— Certo, começaremos imediatamente senhor.

Trevis encerrou a ligação.

Guardou o aparelho.

E permaneceu parado.

O olhar perdido ao longe.

Pensativo.

Muito pensativo.

Até que ouviu passos.

Passos lentos.

Ritmados.

Familiares.

Virou-se.

E encontrou a avó caminhando em sua direção.

Apoiando-se na bengala.

O rosto fechado.

Mais fechado do que ele via há muito tempo.

Quando finalmente chegou perto, ela não perdeu tempo.

— Espero que você acabe com esse homem.

Trevis suspirou.

— Vovó...

— Estou falando sério.

— Eu percebi.

Ela apontou a bengala para ele.

— Não podemos permitir que ele continue fazendo aquela menina sofrer.

Seu tom suavizou ao lembrar de Susan.

— E ainda mais agora.

A senhora olhou para a casa.

— Com aquele bebê lindo.

Trevis cruzou os braços.

— A senhora ouviu nossa conversa?

A avó desviou o olhar.

— Foi sem querer.

— Claro.

— Foi, mesmo.

— Vovó.

— Eu só estava passando pelo corredor.

— Sim, eu acredito — disse ele com sarcasmo, pois já a conhecia.

Ela disfarçou

Trevis balançou a cabeça e mesmo irritado, quase sorriu.

Então a senhora suspirou.

Desta vez sem qualquer humor.

— Eu fui ver se ela precisava de alguma coisa.

Sua voz enfraqueceu.

— Mas ouvi o choro dela.

O sorriso desapareceu completamente do rosto de Trevis.

A avó baixou os olhos antes de continuar.

— E aquilo me trouxe lembranças.

Ele já sabia quais.

Nem precisou perguntar.

— Sua mãe.

A senhora assentiu.

Silenciosamente.

— Os últimos anos dela.

Sua voz estava carregada de emoção.

— As ausências daquele desgraçado.

As desculpas.

A solidão dela.

Trevis fechou os olhos por um instante.

Porque também se lembrava.

De tudo.

Das noites em que encontrava a mãe chorando escondida.

Das viagens que o pai fazia com frequência sem ao menos explicar nada.

Das promessas que nunca cumpria.

Das decepções.

E da tristeza que ela tentava esconder.

— Ela saiu naquela viagem porque queria clarear a mente.

A voz de Margareth tremia.

— Queria descobrir se ainda era importante para ele.

O aperto no peito de Trevis aumentou.

— Quinze dias.

A senhora engoliu em seco.

— Ela ficou quinze dias fora.

Trevis abaixou a cabeça.

Já conhecia aquela história.

Mas ouvi-la ainda doía.

— E ele não ligou uma única vez.

O silêncio caiu entre os dois.

Pesado.

Doloroso.

Então Trevis aproximou-se.

E abraçou a avó.

Margareth fechou os olhos imediatamente.

Porque sabia exatamente o que o neto estava sentindo.

E ele sabia exatamente o que ela estava sentindo.

A mesma revolta.

A mesma tristeza.

A mesma impotência.

Trevis apoiou o queixo sobre os cabelos prateados dela.

E olhou em direção à mansão.

Para a direção onde Susan estava.

Pensou no bebê que havia chegado ao mundo na noite anterior.

E uma certeza silenciosa surgiu dentro dele.

Desde muito jovem, ele aprendera a desprezar homens que traíam, abandonavam e destruíam as pessoas que diziam amar.

E naquele momento…

Durval Moura Rios começava a entrar nessa lista.

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