CAPÍTULO 6

Assim que a senhora Margareth e as empregadas deixaram o quarto, o silêncio voltou a ocupar o ambiente.

Susan recostou-se nos travesseiros.

Por alguns instantes ficou observando Malcollys dormir tranquilamente no berço.

Um sorriso suave surgiu em seus lábios.

Mas então uma lembrança a atingiu.

Seus pais.

Todas as manhãs, sem exceção, eles lhe enviavam uma mensagem de bom dia.

E se ela demorasse muito para responder, logo começavam a se preocupar.

Susan estendeu a mão em direção ao celular.

Foi então que se lembrou.

O aparelho estava descarregado desde a noite anterior.

Imediatamente seus olhos encontraram um carregador sobre a mesinha ao lado da cama.

Ela sorriu.

Na noite anterior, pouco antes de adormecer, uma das empregadas o havia levado.

A mulher explicara que tinha sido o senhor Trevis quem mandara providenciar.

Naquele momento, Susan apenas agradecera, cansada demais para pensar no assunto.

Agora percebeu o quanto aquele gesto havia sido atencioso.

Pegou o aparelho e o conectou à tomada.

Alguns minutos depois, quando a bateria atingiu carga suficiente, ela o ligou.

O celular praticamente enlouqueceu.

Mensagens.

Notificações.

Chamadas perdidas.

Dezenas delas.

Susan arregalou os olhos.

A maior parte era de Durval.

Uma após a outra.

Durante toda a madrugada.

Ela observou a tela por alguns segundos.

Mas não abriu nenhuma.

Nem as mensagens.

Nem as ligações.

Nada.

Naquele momento, não tinha forças para ouvir a voz dele.

Nem vontade.

Ignorando tudo, foi diretamente para a conversa dos pais.

Como imaginava, havia uma mensagem enviada logo cedo.

"Bom dia, filha. Como você está?"

Os olhos de Susan se encheram de ternura.

Ela começou a digitar.

"Bom dia, meus amores. Estou bem."

Mas antes que pudesse terminar a mensagem, uma nova notificação surgiu na tela.

Paula.

Susan abriu imediatamente.

A mensagem era longa.

"Amiga, não sei se isso ajuda ou atrapalha, mas achei que deveria te contar."

Susan sentiu o coração acelerar.

Continuou lendo.

"Vi o Durval antes de amanhecer."

Ela franziu a testa.

"A cara dele não estava nada boa."

Susan permaneceu em silêncio.

Então leu a última parte.

"E mais tarde descobri outra coisa."

Uma sensação estranha percorreu seu corpo.

"A mulher do hospital perdeu o bebê."

Susan congelou.

Por alguns segundos ficou imóvel.

Sem reação.

A informação a atingiu de forma inesperada.

A mulher.

O bebê.

Aquela criança que nunca chegaria a nascer.

Instintivamente seu olhar foi até Malcollys.

Dormindo em segurança.

Protegido.

Aquilo fez seu coração apertar.

Ela não conhecia aquela mulher.

Não sabia quem era.

Mas a dor de perder um filho era algo que nenhuma mãe deveria experimentar.

Susan fechou os olhos por alguns segundos.

E respirou fundo.

Depois terminou a mensagem para os pais.

Dessa vez com mais cuidado.

"Estou bem. Não se preocupem."

Ela sorriu ao digitar a frase seguinte.

"Tenho uma surpresa para vocês."

Imaginou imediatamente a reação dos dois.

Mas antes que a empolgação surgisse, acrescentou:

"Por enquanto ninguém pode saber."

Fez uma pausa.

E então completou:

"Principalmente o Durval."

Assim que enviou, respondeu também à amiga.

Agradeceu por tudo.

Pelo apoio.

Pelas informações.

E, principalmente, por não ter escondido a verdade.

Quando terminou, deixou o celular sobre a cama.

Seu olhar tornou-se pensativo.

Havia algo que precisava fazer.

Algo importante.

Ela pressionou o botão ao lado da cama.

Poucos instantes depois, uma das empregadas apareceu.

— A senhora precisa de alguma coisa?

— Sim.

Susan sorriu educadamente.

— O senhor Trevis está em casa?

— Sim, senhora.

— Ele está? — perguntou pensando, então por que ele não veio vê-la, mas logo descartou aquele pensamento, pois claro que ele não tinha motivo de vê-la.

— Sim! No escritório.

A empregada sorriu.

— Quando ele está na residência, passa boa parte do tempo trabalhando lá.

Susan assentiu.

Já esperava uma resposta parecida.

— Você poderia me levar até ele?

A funcionária pareceu surpresa.

— Claro.

Susan levantou-se cuidadosamente.

O corpo ainda estava dolorido.

Mas já se sentia muito melhor do que na noite anterior.

A empregada pegou Malcollys no colo enquanto ela caminhava pelo corredor.

Durante o trajeto, Susan observou a mansão com mais atenção.

Os detalhes da decoração.

As obras de arte.

Os amplos corredores.

Tudo parecia elegante sem ser exagerado.

Alguns minutos depois chegaram a uma grande porta dupla de madeira escura.

— É aqui.

A empregada ajeitou Malcollys nos braços e bateu levemente.

Toc.

Toc.

Por alguns segundos houve silêncio.

Então uma voz masculina, firme e poderosa, ecoou do outro lado.

— Entre.

A empregada abriu a porta.

Susan deu apenas dois passos para dentro do escritório e parou.

Por um instante, seus olhos percorreram o ambiente.

Era amplo.

Elegante.

Uma enorme estante ocupava praticamente toda uma parede.

Livros.

Documentos.

Fotografias.

Uma grande mesa de madeira escura posicionava-se próxima às janelas que ofereciam vista para os jardins da propriedade.

Ela finalmente viu o lugar onde ele passava boa parte dos seus dias.

Trevis ergueu os olhos dos documentos que analisava.

E, no instante em que a viu, levantou-se imediatamente.

— Susan.

Ela sorriu levemente.

— Desculpe interromper.

— Você não está interrompendo.

Contornando a mesa, ele caminhou em sua direção.

Seu olhar desceu discretamente para ela.

Depois para Malcollys nos braços da empregada.

E então voltou para o rosto de Susan.

— Você deveria estar descansando.

— Eu já estava ficando entediada naquele quarto.

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele.

— Isso é um bom sinal.

Com gentileza, Trevis indicou o sofá.

— Venha.

Susan caminhou devagar até ele.

Antes que pudesse sentar-se, Trevis aproximou uma almofada para ajudá-la a ficar mais confortável.

A empregada colocou Malcollys em seus braços.

— Precisa de mais alguma coisa, senhora?

— Não, obrigada.

— Qualquer coisa estarei por perto.

A mulher retirou-se.

A porta se fechou.

E o silêncio tomou conta do escritório.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Trevis permaneceu observando-a.

Não de forma invasiva.

Mas atento.

Como alguém que realmente queria saber se ela estava bem.

Foi ele quem rompeu o silêncio.

— Como está se sentindo?

Susan acariciou a cabecinha de Malcollys.

— Melhor.

— Tem certeza?

— Tenho.

— E por que saiu da cama?

Ela sorriu.

— Porque precisava falar com você.

Trevis arqueou levemente uma sobrancelha.

— Precisa de alguma coisa?

Susan respirou fundo.

— Sim.

Ele sentou-se na poltrona à sua frente.

Cruzou as mãos sobre uma das pernas e aguardou.

Sem pressa.

Sem pressioná-la.

Apenas esperando.

Susan sentiu o nervosismo crescer.

Por alguns segundos desviou o olhar.

Então voltou a encará-lo.

Trevis sustentou seus olhos calmamente.

Como se estivesse lhe dando permissão para falar no próprio tempo.

Ela limpou a garganta.

— Preciso de um favor.

— Certo.

— Na verdade... mais um favor.

Um sorriso discreto apareceu no canto dos lábios dele.

— Estou ouvindo.

Susan inclinou levemente a cabeça para o lado.

Torcendo os lábios num gesto inseguro.

Então soltou de uma vez:

— Você conhece algum detetive particular?

As sobrancelhas dele ergueram-se imediatamente.

— Um detetive?

Ela assentiu.

— Sim.

Trevis não fez perguntas.

Não naquele instante.

Apenas aguardou.

E talvez tenha sido justamente isso que a fez continuar.

Susan baixou os olhos.

Respirou fundo.

E começou.

Primeiro devagar.

Depois sem conseguir parar.

Falou sobre a época da faculdade.

Sobre como se apaixonara por Durval.

Sobre os sonhos que construíram juntos.

Sobre o casamento.

Sobre os anos seguintes.

Falou da ausência constante dele.

Das viagens.

Dos compromissos.

Das datas especiais que ele quase nunca lembrava.

Das comemorações perdidas.

Dos aniversários.

Dos natais.

Dos momentos em que precisava dele e ele simplesmente não estava.

Trevis ouvia tudo em silêncio.

Sem interromper.

Sem desviar o olhar.

Então Susan falou sobre sua profissão.

Sobre como Durval frequentemente diminuía seu trabalho.

Sobre as vezes em que a fazia sentir que sua carreira era menos importante.

Menos valiosa.

Menos digna de atenção.

E aquilo doía.

Porque ela amava o que fazia.

Sua voz começou a falhar.

Mas ela continuou.

Falou sobre o casamento.

Sobre o atraso de Durval.

Sobre ele ir embora poucas horas depois da cerimônia.

Sobre a lua de mel que praticamente não existiu.

Sobre os anos que se seguiram.

Sobre a solidão.

A enorme e constante solidão.

Então veio a gravidez.

Ao lembrar daquele momento, as lágrimas surgiram.

— Eu estava tão feliz...

Sua voz quebrou.

— Achei que aquilo mudaria tudo.

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