Sombras do passado

Narrado por Adrian

Eu ainda estava em choque.

Acabara de entrevistar Elena Carter… e, para ser sincero, ela era perfeita para o cargo.

Não apenas pela experiência.

Mas pela postura.

Pela forma como respondeu às perguntas.

Pela maneira como se vestiu.

Tudo nela demonstrava profissionalismo.

Era estranho… porque fazia muito tempo que eu não via algo assim.

Principalmente naquela empresa.

Não estou me gabando.

Mas ao longo dos anos em que conduzi entrevistas, sempre apareciam mulheres com segundas intenções.

Sempre havia olhares insinuantes.

Sorrisos calculados.

Tentativas óbvias de chamar atenção.

Algumas claramente estavam ali procurando muito mais do que um emprego.

Mas Elena Carter…

Ela não era assim.

E perceber isso foi um alívio.

Eu precisava de uma assistente.

Não de uma namorada.

Assim que ela saiu da sala, senti um peso sair das minhas costas.

Finalmente eu não precisaria mais lidar com a sobrecarga absurda de trabalho causada pela falta de assistente.

Com essa pequena vitória, consegui continuar o resto do meu dia com um pouco mais de leveza.

[...]

Quando finalmente cheguei em casa, tudo o que eu queria era minha cama.

Estava cansado… mas também aliviado.

Agora que tinha contratado uma assistente, as coisas provavelmente voltariam a funcionar normalmente na empresa.

Pelo menos era o que eu esperava.

Estava perdido nesses pensamentos quando a porta da minha sala se abriu sem cerimônia.

— Então… como foram as entrevistas?

Levantei os olhos.

Daniel Cooper estava jogado no sofá como se fosse dono da casa.

Suspirei.

Daniel era meu amigo desde a infância.

Crescemos juntos.

Apesar de não frequentarmos muito a casa um do outro quando éramos mais novos, nossa amizade sempre foi sólida.

Hoje ele era meu braço direito na empresa.

Confiava nele de olhos fechados.

Mesmo que ele fosse um completo palhaço… e um mulherengo incurável.

— Você continua folgado — respondi.

Ele apenas sorriu.

— Respondendo à sua pergunta… as entrevistas foram boas.

Abri os primeiros botões da camisa, tentando aliviar o aperto.

— Na verdade… foram ótimas. Finalmente encontrei uma assistente.

Daniel ergueu uma sobrancelha.

— Uau… você falando assim até parece animado.

Ele se inclinou para frente com um sorriso malicioso.

— Ela é gata?

Revirei os olhos imediatamente.

— Não faço ideia.

— Como assim não faz ideia? — perguntou, indignado.

Dei de ombros enquanto pegava uma garrafa de uísque e servia um copo.

— Diferente de você, eu não fico analisando a aparência das minhas funcionárias.

Daniel riu.

— Deveria.

Tomei um gole da bebida.

— Assim você poderia arrumar uma namoradinha para o seu amigo… ou até para você.

Ignorei completamente o comentário.

Subi para o meu quarto.

Tomei um banho rápido, troquei de roupa e pedi o jantar.

Quando desci novamente, Daniel já tinha ido embora.

Então jantei sozinho.

Como sempre.

Depois fui para a sala de cinema da casa e assisti a um filme qualquer.

Mas quando finalmente me deitei… o sono simplesmente não veio.

Revirei na cama algumas vezes.

Nada.

Suspirei e me levantei.

Caminhei até a sacada do meu quarto.

A cidade estava silenciosa.

Olhei para o relógio.

02:00 da manhã.

O céu estava escuro, mas a lua e as estrelas iluminavam a noite.

E então… como sempre acontecia quando eu ficava sozinho demais…

Eu pensei nela.

Clara.

Minha antiga namorada.

A mulher que eu amei.

Ela morreu três anos atrás.

Naquela noite, nós estávamos voltando de um jantar com amigos.

Tudo estava normal.

Até que, no meio da estrada…

Um caminhão desgovernado surgiu.

O impacto foi brutal.

Eu sobrevivi.

Mas Clara morreu no local.

Dias depois, quando o hospital preparava o corpo para o velório…

descobriram algo que destruiu completamente o que restava de mim.

Clara estava grávida.

Ela esperava um filho nosso.

Nosso filho.

Antes de partir… ela conseguiu falar comigo no local do acidente.

Flashback

— Siga… sua… vida… — sussurrou ela, fraca, presa entre os destroços.

— Não! — gritei desesperado. — Você vai ficar comigo! Está me ouvindo? Você vai ficar!

Minhas mãos tremiam enquanto eu acariciava seu rosto machucado.

— Faça… uma família… — continuou ela com dificuldade. — Siga em frente… encontre alguém que te ame… e… seja feliz…

As lágrimas escorriam pelo meu rosto.

— Clara, não fala assim… por favor…

Ela tentou sorrir.

— Eu vou… sempre… te amar…

E então…

Ela deu seu último suspiro.

— NÃÃÃOOOO! — gritei.

Abracei seu rosto desesperadamente.

— Não… Clara… por favor… não me deixe…

— Meu amor…

Fim do flashback

Senti lágrimas pesadas escorrerem pelo meu rosto.

Pensar nela sempre fazia isso comigo.

Sempre me deixava… vulnerável.

Respirei fundo e enxuguei o rosto.

Afastei aquelas lembranças da minha mente.

Voltei para a cama.

Dessa vez, o cansaço finalmente venceu.

Meus olhos começaram a pesar…

E logo se fecharam.

Sem saber…

Que a mulher que eu havia contratado naquele dia estava prestes a mudar completamente a minha vida.

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