Elena narrando
Acordei com o som insistente do despertador. Ainda sonolenta, estendi a mão para desligá-lo e me levantei devagar da cama. Meu primeiro dia de trabalho finalmente tinha chegado.
Depois de um banho rápido, escolhi uma roupa formal. Coloquei uma blusa branca de manga longa, uma calça social vinho e finalizei com um scarf bege que dava um toque elegante.
Olhei meu reflexo no espelho.
Respirei fundo.
— Vai dar tudo certo — murmurei para mim mesma.
Saí do quarto e fui direto para a cozinha preparar o café da manhã enquanto minha pequena ainda dormia.
Para mim, preparei pão com pasta de amendoim e algumas uvas. Para Sofia fiz um mingau e separei algumas uvas cortadas.
Assim que terminei, ouvi um pequeno ruído vindo da babá eletrônica.
Sorri.
— Bom dia, princesa...
Fui até o quarto e encontrei Sofia se mexendo no berço. Assim que me viu, abriu um sorriso sonolento que fez meu coração derreter.
Peguei minha filha no colo e beijei sua testa.
— Dormiu bem, meu amor?
Ela balbuciou algo incompreensível enquanto brincava com meu cabelo.
Levei-a para a cozinha e tomamos café juntas.
Esses pequenos momentos eram tudo para mim.
Depois de comer, troquei sua fralda e ficamos assistindo televisão juntas até Carla chegar.
Carla era a babá de Sofia e me ajudava muito. Assim que ela chegou, expliquei rapidamente que era meu primeiro dia de trabalho e que poderia chegar um pouco mais tarde.
Dei um último beijo em Sofia.
— Mamãe já volta, meu amor.
Com o coração apertado, saí de casa e segui para a empresa.
[...]
Assim que cheguei ao prédio da empresa, senti vários olhares sobre mim.
Ignorei.
Enquanto caminhava pelo saguão elegante, repeti mentalmente as regras que eu mesma tinha criado para sobreviver naquele trabalho:
Ser educada.
Manter a calma.
Não criar conflitos ou inimigos.
Em hipótese alguma me envolver romanticamente com alguém da empresa.
Se eu seguisse essas regras, dificilmente teria problemas.
Peguei meu crachá e entrei no elevador que levava ao andar presidencial.
Assim que as portas se abriram, fui recebida por um abraço animado.
— Ai, meu Deus! Estou tão feliz que vamos trabalhar juntas! — disse Isabella, sorrindo de orelha a orelha.
Ri.
— Eu também estou muito ansiosa.
Ela segurou meus ombros.
— Não precisa ficar nervosa. Você é inteligente e competente. Vai se sair muito bem.
Sorri, agradecida.
Desde o primeiro momento senti que Isabella era uma boa pessoa. Algo me dizia que seríamos boas amigas.
Alguns minutos depois, sentei na minha nova mesa.
Ela ficava bem em frente ao escritório do chefe, cercada por paredes de vidro. Organizei meus materiais e comecei a me adaptar ao ambiente.
Dez minutos depois, ouvi o elevador se abrir.
Nem precisei olhar.
— Bom dia, Srta. Smith — disse uma voz masculina firme ao passar pela minha mesa.
Levantei os olhos.
— Bom dia, Sr. Miller.
Adrian Miller entrou em sua sala sem dizer mais nada.
Logo comecei a verificar sua agenda e organizar algumas tarefas do dia.
[...]
Por volta das onze horas, lembrei que o Sr. Miller tinha uma reunião importante com investidores.
Peguei o tablet e fui até a porta de seu escritório.
Bati levemente.
— Entre.
Abri a porta.
— Com licença, senhor. O senhor tem uma reunião com investidores daqui a quinze minutos.
Ele ergueu o olhar dos papéis.
— Onde será?
— Na sala de reuniões do setor um.
Ele assentiu.
— Certo. Srta. Smith... você irá me acompanhar nesta reunião.
Minha surpresa foi imediata.
Era apenas meu primeiro dia.
— E obrigado por me lembrar — acrescentou ele. — Eu tinha esquecido.
Assenti com a cabeça e saí da sala.
[...]
Pouco tempo depois, estávamos todos sentados na sala de reuniões.
Executivos, investidores e diretores.
O ambiente era sério.
Assim que a reunião começou, comecei a fazer anotações no tablet, registrando os principais pontos discutidos.
O assunto principal era o lançamento de uma nova coleção de joias para o Dia dos Namorados.
Várias ideias foram apresentadas.
Mas, na minha opinião, nenhuma era realmente boa.
Não eram originais.
Pareciam cópias de outras marcas.
Pelo visto, Adrian Miller pensava o mesmo.
De repente ele se levantou.
— Já vi ideias semelhantes sendo usadas por outras empresas.
O silêncio tomou conta da sala.
— Quero algo original. Algo surpreendente. Uma joia que, ao ser vista, faça qualquer pessoa saber imediatamente que é da Miller.
Ele passou os olhos por todos na mesa.
— Pensem em algo diferente. Quero novas ideias.
E sem dizer mais nada, saiu da sala.
Eu me levantei rapidamente e fui atrás dele.
[...]
Horas depois, finalmente cheguei em casa.
Estava cansada.
Mas feliz.
Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha passado o dia trabalhando… e não procurando emprego.
Assim que entrei, encontrei Carla sentada no sofá.
Conversamos um pouco sobre meu primeiro dia e, logo depois, ela se despediu e foi embora.
Aproveitando que Sofia ainda dormia, fui tomar um banho quente.
Depois coloquei um pijama confortável e fui preparar o jantar.
Assim que terminei, ouvi novamente o barulho da babá eletrônica.
Fui até o quarto.
Sofia estava acordada, com os olhinhos ainda pesados de sono.
— Acordou, mamãe? — murmurei, pegando-a no colo.
Levei-a para a sala e fiquei conversando com ela.
Ela me olhava com tanta atenção que parecia entender cada palavra que eu dizia.
Depois jantamos, brincamos um pouco e logo a coloquei para dormir novamente.
Quando tudo ficou silencioso, fui para o meu quarto.
Ajoelhei ao lado da cama.
— Obrigada, Deus... por cuidar de mim e da minha filha.
Depois de mais um dia vencido, deitei na cama.
E adormeci rapidamente.