Mundo de ficçãoIniciar sessãoKivia
Pego a bandeja com bebida e sigo para o primeiro quarto. Bato na porta. Um macho velho, com o rosto esquelético, abre. — Vejo que a Regina superou a expectativa esse ano. Entre, entre.- ele fala com um tom animado que me deixa desconfortavel. Baixo a cabeça e deixo a bandeja em uma mesa de centro. Tento sair, mas o infeliz fecha a porta atrás de mim. Minha loba já choraminga dentro de mim. — Espere. Sei que você será leiloada. Me mostre se vale a pena. Tire o vestido, cadelinha. Anda. Engulo seco. Tiro o vestido, expondo meu corpo ao velho decrépito. As mãos dele são enrugadas e geladas. O sorriso sádico me dá nojo. Talvez fosse melhor morrer hoje. Ajudaria a encerrar tudo isso… minha filha que me perdoe, mas eu não aguento mais, cheguei ao meu limite. A mão fria, trêmula, passeia pelo meu corpo. — Mesmo nessas condições ainda se sente sua aura… e um corpo divino. Não me desfaria de tamanha beleza. Pode se vestir. Você merece um lance. Saio dali com os punhos cerrados de raiva. Se não estivesse tão fraca, eu mesma o mataria. Peguei outra bandeja e fui para o próximo quarto. Só espero que seja um casal… e não outro degenerado. Bato na porta. Ao que parece, a deusa não me ouve. Outro macho. Ele é alto, com o corpo de um guerreiro bem treinado. Algo em suas vestes me chama atenção. Franzo o cenho. Um lobo do Sul. Sequer me olha. — Senhor… eu sou uma loba seguestrada. Seu olhar junto com uma expressão fria. — Nenhum ataque de renegados foi registrado como bem-sucedido em todo o território Sul desde a Luna Eliz. Mentirosa. Ele fecha a porta no meu nariz. Fico parada, com as mãos na cintura. Inspiro fundo. Bato novamente. — O quê? — ele abre a porta, irritado. — Meus pais são Rairon e Keila. Minha alcateia é Garras Venenosas. Servimos a Luna Eliz com ervas raras do nosso território e também servimos sua filha Artemísia. Me chamo Kivia. Por favor… me ajude. Fomos servos fiéis todo esse tempo. Ele pisca algumas vezes, em silêncio. — Você é boa. Admito. Pensarei no que farei com você até o leilão. Obrigada, Selene. Enfim uma esperança. Termino de servir os outros quartos do andar. Sem exceção, todos eram machos interessados no leilão… ou em me apalpar. Maldita Regina. Volto à cozinha para devolver a bandeja. — Já terminou seu serviço, Kivia? — Sim, senhora Regina. Ela ergue a sobrancelha, esperando qualquer erro meu. — Pode ir para o seu quarto. E leve seu prato de sopa. Não quero ficar olhando sua cara fantasmagórica no jantar. — Sim, senhora. Como se eu quisesse olhar a dela. Encho um prato de sopa e sigo para meu quarto. Já quase chegando, escuto vozes do lado de fora. O mestre entra acompanhado do guerreiro do Sul. — Quer dizer que a minha lobinha quer fugir? Arregalo os olhos, pega de surpresa. O macho está escorado no batente da porta, braços cruzados, com um sorriso debochado. Sinto como se meu estômago afundasse. O mestre dá dois passos e agarra meu cabelo com força. A dor me faz arquear o corpo, enquanto tento segurar o prato com a sopa fumegante. — Se já não tivesse te anunciado para o leilão, te mataria agora mesmo Kivia, pela ousadia.- Ele me solta e apoio o prato em cima do móvel, ao lado da cama com o couro cabeludo queimando de dor. Sou empurrada no colchão com violência. — Já que você queria tanto um guerreiro, eu liberei Ragnar para provar um pouco de você. O mestre nos deixa a sós no quarto, o tal Ragnar realmente e o diabo como dizem. Lágrimas de raiva e decepção escorrem pelo meu rosto enquanto minhas roupas são rasgadas com violência em um barulho seco, o ar fresco do quarto b**e na minha pele. Meu coração dispara, minha respiração falha. — Não danifique ela. Tenho que entrega-la inteira ao seu novo dono. Engulo em seco. Pelo tamanho do Ragnar essa desgraça vai doer como o inferno. Se eu pudesse arrancava a dentadas seu bem mais precioso, ele sente meu ódio, vejo um sorriso ladino se abrir em rosto, desgraçado.






