Mundo de ficçãoIniciar sessãoKivia
Minha consciência vai e volta. — Sua loba está fraca demais, mestre. Me admira que ela já não tenha morrido… está desnutrida… Escuto um trecho da conversa do lado de fora. Estão no corredor, fora do quarto. Minha audição ainda funciona. Ao menos isso. — Ela é de boa linhagem… sua loba era excepcional quando chegou. Feroz e astuta.Vou perder um bom investimento. Ele soava chateado. Como se o brinquedo tivesse quebrado. — Bem, a Festa da Lua está chegando. Teremos muitos convidados. Deixe-a longe do serviço pesado. Vou ministrar alguns tônicos para que as feridas externas cicatrizem. Ela é bonita, chama atenção. Com certeza será comprada assim… ainda podemos lucrar com ela. Infelizmente, não posso fazer mais nada a respeito. — Bem pensado. Organizarei o leilão. Cuide dela. Deixe-a com uma aparência melhor até lá. Lágrimas escorrem silenciosas. Não sei se choro pela consciência da minha vida se esvaindo… ou por saber que posso cair nas mãos de um macho ainda pior que esse. “Selene… se puder me ouvir… se ainda tenho algum valor… me envie alguém. Alguém que me permita ver minha filha pela última vez. Essa é minha última súplica.” ***Alguns dias depois.*** A governanta Regina entra no quarto com uma bandeja. Um prato de sopa com aparência duvidosa. — Então conseguiu escapar de entreter os machos, não é, sua folgada? A parte boa é que vou me livrar de você de uma vez. Ela fala enquanto entrega o prato me trancando no quarto novamente. Idiota. Isso não muda nada para ela. Continuará se rastejando da mesma forma. Machos como ele detestam esse tipo de fêmea… mas ainda a usam. Quatro dias depois. O mestre volta ao quarto. — Tire o vestido, Kivia. Sua voz é rouca, carregada de necessidade. Para minha desgraça, ele nunca está satisfeito. Deixo a camisola cair aos meus pés. — Tão linda… Ele apalpa meus seios, apertando os bicos. Seguro a ânsia que sobe pela garganta. Me obrigo a pensar em qualquer outro lugar. — Deite de bruços. Quadris levantados. Obedeço. A dor do beliscão diminui enquanto suas mãos deslizam pelo meu corpo. Ele aperta minhas nádegas, uma de cada vez, como quem avalia carne. O colchão afunda. Ele levanta meu quadril, expõe meu sexo, e passa os dedos devagar, antes de se posicionar. Penetra-me com calma, me esticando aos poucos. — Não vou danificar você para o próximo comprador. Relaxe. Não quero te machucar. Não é como se já não tivesse feito isso antes. — Sim, mestre. Forço meu corpo a relaxar. Tanto quanto alguém quebrada consegue. Quando termina, se afasta e limpa-se com um pedaço do lençol. — Você continua tão… boa quanto no primeiro dia. Sentirei sua falta. Baixo o olhar. Ele não espera resposta, que diga que sentirei falta dele. Ou espera? Quando termina de se vestir me dá às costas e sai. Vou ao banho. Dentro da bainha da minha roupa, escondo a folha de erva da lua. Coloco na boca e mastigo. Amarga. Nunca fui infértil. Nem fraca. Só não traria uma vida ao mundo nesse inferno. E ainda assim… essa erva também me mata um pouco a cada dia. Talvez, se eu parar… meu corpo se recupere. Talvez não. Não tenho como saber com certeza. Tudo dependerá do próximo dono. Fecho a bainha do vestido com cuidado. Ainda tenho bastante escondida. Saio do banheiro e me encaro no espelho. Minhas cicatrizes estão ali, mas agora quase não aparecem. Escuto o click na porta. — Kivia, a Regina pediu que você sirva as bandejas aos hóspedes que estão chegando. Disse que é um serviço leve. Precisamos de mais mãos. Ela coloca um vestido de serva sobre minha cama. Simples. Limpo. Não sou ingênua. Ela quer que me vejam. Quer me expor. Como mercadoria que sou. — Sim. Pego o vestido e o visto. Melhor do que a roupa de “entretenimento” dos machos. — Kivia… Olho para a outra escrava. Ela hesita. — O macho que você vai servir… se chama Ragnar. Dizem que é um monstro. Tome cuidado. Seguro sua mão. — Se um dia eu puder retribuir o que faz por mim Celine… eu vou. Ela sempre me protege. Sempre que pode. Como uma irmã mais velha. — Não pense em pagar nada. Pense apenas em sobreviver, Kivia. Ela me abraça rápido. — Cuide-se. Vou servir o tal Ragnar.






