Capítulo 10

— Uma bolsa integral numa faculdade em São Paulo? — meu pai perguntou, ele estava feliz e incrédulo ao mesmo tempo.

Eu sabia que era errado mentir para ele, não estava nada bem com isso, mas não tinha outro jeito dele me deixar ir viajar. Eu inventei que tinha ganhado uma bolsa integral em uma universidade em São Paulo e com um estágio na própria universidade.

— Isso não é incrível! Eu não acreditei que seria possível quando fiz a inscrição no concurso idealizado pelos diretores da universidade, mas eu venci, papai, foi incrível! — meu coração pesava a cada fingimento de uma empolgação que era só tristeza e decepção.

— É a mesma faculdade que você estuda aqui? — perguntou, ainda receoso com minha segurança. Ah, se ele soubesse a verdade.

— Sim, papai, é a mesma rede, porém a de São Paulo é maior e tem até um laboratório enorme. É uma pena que eu provavelmente não terei tempo para ficar muito por lá, deve ser muito legal.

— Isso é realmente uma oportunidade incrível, filha. Esse velho aqui está muito orgulhoso de você, das suas conquistas — me apertou em um abraço e eu não consegui conter as lágrimas. — Eu tenho algumas economias, não é muito, mas…

— Não! — o interrompi — Papai, eu não vou levar o dinheiro, eu também tenho algumas economias, e vou chegar lá trabalhando, então não precisa se preocupar.

— Mas em São Paulo tudo é muito caro, você vai precisar de mais dinheiro.

— Não se preocupe, caso eu precise, é só ligar e pedir, o senhor me envia no pix.

Ele não gostou da minha recusa, mas não insistiu mais depois que eu prometi pedir se caso precisasse.

Seguindo o plano, eu coloquei minhas roupas na mala, mesmo sabendo que não iria usar nenhuma delas. Doía tanto pensar que eu estava indo ocupar o lugar de outra pessoa e que meus próximos dias seriam totalmente diferentes, que eu teria que fingir. O medo de ser descoberta e ir para a cadeia era grande demais, aterrorizante.

A minha noite foi longa, Ana, Luigi, a tia Cíntia, todos vieram, organizaram uma festa de despedida para mim.

— Bela, por que você não disse que tinha entrado nesse concurso? É muito irritante saber que eu perdi minha amiga assim, sem ter tempo para me acostumar com a ideia — Ana reclamou, enquanto me abraçava, seus olhos já estavam marejados.

— Desculpa, eu queria fazer surpresa — menti, sentindo meu coração apertado.

— Pois da próxima vez que você me esconder as coisas, eu vou cobrar muito caro — agora foi a vez do Luigi. — Eu te desejo muito sucesso, Bela, e qualquer problema que você tiver, é só me ligar e eu estarei lá para socar a cara de quem ousou mexer com você! — falou, abraçando-me forte.

Eu me sentia tão protegida com ele ao meu lado, ele, o meu pai, a Ana, todos eles eram o meu porto seguro.

— Aqui, Bela, isso é para você. E nem pense em negar, isso aí é só um papel simbólico, o valor já está na sua conta, é o nosso presente de boa viagem — disse Luigi, me entregando um envelope.

Era um cheque no valor de dez mil reais, eu até tentei fazer o estorno, mas ele não deixou. Eu decidi guardar o valor e devolver depois.

— Eu amo tanto vocês e vou sentir tanta saudade — falei, chorando alto.

— Não fique triste, Bela, nós vamos te visitar — disse Ana, Luigi também prometeu uma visita.

— Cuida do meu pai para mim? — pedi, enquanto recebia mais um abraço do Luigi.

— Pode ir tranquila, Bela, eu vou cuidar muito bem do tio, vou dormir aqui com ele. Estuda muito e tenha muito sucesso lá.

Eu aproveitei o máximo possível a companhia de todos, não sabia quando voltaria a vê-los de novo, meu futuro agora era incerto.

— Estamos prontos, podemos ir! — o homem falou, saindo da cabine do avião, assim que Maryeva me mostrou a poltrona onde eu deveria me sentar.

— Você! — Encarei a imagem do homem que vi na festa, agora finalmente entendi sua reação quando me viu.

— Nós já nos conhecemos, Isabela, Josias Molina, agora estou me apresentando como deveria, sou seu padrasto. Sinto muito por tudo isso, mas é necessário.

Minha vontade era xingá-lo, extravasar a raiva que estava sentindo, mas no final só o encarei, calada.

Nos sentamos, Josias me ajudou a prender o cinto de segurança e o avião levantou voo. Eu estava com tanto medo que meu coração parecia que ia sair pela boca, era a minha primeira viagem de avião.

Quando normalizou, eles abriram uma pasta na minha frente onde tinha várias fotografias.

— Esses são os amigos da Isadora. Essa é Bruna, sua melhor amiga — Maryeva começou a me apresentar a vida da sua filha. A minha irmã.

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