Flávia
Quando eu abracei a Pamela, eu senti o quanto ela estava quebrada. Não era só o corpo cansado, era a alma exausta. Eu reconheci aquilo na hora, porque já estive ali. E a culpa me atravessou como uma faca.
Eu comecei a chorar sem conseguir segurar.
Chorei porque demorei.
Chorei porque falhei.
Chorei porque cheguei tarde demais.
— Me perdoa, Pamela… — eu disse, com a voz tremendo enquanto a apertava contra mim. — Me perdoa por só estar aqui agora.
Ela não disse nada no começo. Só ficou ali, respirando comigo, como se também estivesse juntando os pedaços.
Eu me afastei um pouco para conseguir falar. Eu precisava falar. Se eu não dissesse aquilo naquele momento, talvez nunca tivesse coragem.
— Eu devia ter vindo antes. Muito antes. Eu devia ter te protegido mais. Devia ter te escutado mais. Devia ter sido mais presente.
As lágrimas desciam sem controle, molhavam meu rosto, meu pescoço, a blusa. Eu não tentei limpar. Não tinha mais por que fingir força.
— Eu sei que não sou sua mãe