Caleb
Eu estava dirigindo há mais de uma hora, mas parecia que tinha passado uma vida inteira dentro daquele carro. Minhas mãos estavam grudadas no volante, os dedos duros, o maxilar travado. Eu mal piscava. A estrada passava, as luzes, as placas, tudo borrado. Minha cabeça só repetia uma coisa: meus filhos.
A polícia tinha ligado dizendo que havia uma grande chance das crianças estarem naquele galpão. Não certeza. Chance. Aquela palavra me dava vontade de gritar.
Eu cheguei ao local e vi várias viaturas paradas. Carros pretos, homens armados, gente andando de um lado pro outro. Tudo parecia organizado demais para algo que, pra mim, era puro caos.
Parei o carro de qualquer jeito e desci batendo a porta.
— Por que ninguém entrou ainda? — perguntei, já com a voz alterada.
Um policial veio até mim, com aquela calma irritante de quem não tem filhos desaparecidos.
— Senhor, estamos aguardando autorização judicial.
Eu senti algo estourar dentro de mim.
— Autorização? — eu repeti. — Vocês es