Eu sabia. Lá no fundo, eu sabia. Mesmo assim, quando a moça da clínica colocou o envelope sobre a mesa, minhas mãos começaram a tremer como se eu não estivesse preparada pra aquilo.
O Caleb percebeu na hora. Ele não disse nada. Só segurou minha mão com força, daquele jeito firme que me ancora quando tudo ameaça sair do lugar.
— Pode abrir — ele disse baixo. — Eu tô aqui.
Respirei fundo. Uma vez. Duas. Três. Abri.
Não precisei ler tudo. Bastou a frase destacada, fria, objetiva, sem emoção nenhuma:
Compatibilidade confirmada. Grau de parentesco: irmãos biológicos por parte paterna.
Meu mundo parou.
Não fez barulho. Não caiu nada. Mas alguma coisa dentro de mim quebrou. Ou talvez se rearrumou de um jeito que nunca mais ia voltar a ser o mesmo.
Meus olhos encheram de lágrimas antes mesmo do meu cérebro processar.
— É verdade… — eu sussurrei. — Ele é meu irmão.
Chorei. Chorei de um jeito silencioso, pesado, dolorido. Não era alegria pura. Não era tristeza pura. Era luto pelo pai que eu ach