Daniel
Eu nunca achei que espionagem fosse coisa de filme. Sempre imaginei algo espalhafatoso, gente de sobretudo, carros pretos. A verdade é bem mais simples. E mais suja. Espionar alguém é só saber quem está perto dele… e quanto essa pessoa vale.
Foi assim que tudo começou com o assistente do Caleb.
Eu já tinha passado meses observando de fora. Horários, rotas, hábitos. Mas isso só mostra a casca. Eu queria o recheio. Queria saber o que acontecia dentro da empresa, dentro da rotina, dentro da casa dele. E pra isso, eu precisava de alguém lá dentro.
O assistente era perfeito.
Discreto. Sempre apressado. Sempre resolvendo tudo. Gente assim sabe demais. E geralmente ganha de menos.
Não cheguei oferecendo dinheiro logo de cara. Nunca funciona. Primeiro eu observei. Vi onde almoçava, em que horário fumava escondido, quando parecia mais cansado. Descobri o bar que ele frequentava depois do expediente. Um desses lugares onde ninguém faz perguntas.
Na terceira noite, eu sentei ao lado dele