Eu sou um idiota

Daniel

Eu estava triste. Não era um triste bonito, desses que viram poesia. Era um triste pesado, grudado no corpo. Daqueles que sentam no peito e não pedem licença.

Eu não tinha achado as crianças.

Essa frase ficava rodando na minha cabeça como um erro que não dá pra apagar. Eu repetia em silêncio, como se repetir fosse mudar alguma coisa. Não mudava.

A casa parecia menor naquela noite. O silêncio fazia barulho. Cada estalo, cada carro passando na rua, tudo me deixava alerta. Eu levantava, andava, sentava de novo. Não conseguia ficar quieto.

Comecei a pensar demais. E pensar demais nunca ajuda.

E se eu tivesse passado por elas e não percebido? E se eu tivesse olhado direto pro lugar certo e ignorado? E se alguém estivesse me observando agora?

A paranoia foi chegando devagar. Primeiro como cuidado. Depois como medo. Depois como certeza de que algo estava errado o tempo todo.

Fechei todas as cortinas. Conferi a porta duas vezes. Depois três. Olhei pela janela mesmo sabendo que não ver
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