Aguentem mais um pouco

Eu entrei no carro e fiquei alguns segundos parado, com as mãos no volante, olhando pro nada. O galpão ainda estava ali atrás de mim, vazio, silencioso, como se estivesse rindo da minha cara. Meu peito doía de um jeito físico, real. Parecia que alguém tinha enfiado a mão dentro de mim e apertado meu coração até quase estourar.

Peguei o celular. Demorei pra desbloquear. Eu não queria fazer aquela ligação. Não queria ouvir a voz da Pamela quebrando do outro lado. Mas eu precisava. Ela tinha o direito de saber.

Liguei.

Ela atendeu rápido demais, como se estivesse esperando com o telefone na mão.

— Caleb? — a voz dela saiu fraca, esperançosa. — Você achou eles?

Eu fechei os olhos.

— Não… — falei baixo. — Não estão aqui.

Houve um silêncio pesado. Dava pra ouvir a respiração dela ficando irregular.

— Como assim não estão aí? — ela perguntou, já chorando. — A polícia disse que era quase certo…

— Eu sei — interrompi, tentando manter a voz firme. — Eu sei, amor. Mas o galpão estava vazio. Não
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