Mundo de ficçãoIniciar sessãoCassandra Moore
Respirei fundo, como se isso fosse acalmar o turbilhão que se formava no meu peito — Com as mãos agarradas a alça da minha bolsa entrei em outro elevador— esse estava bem mais cheio. Quando cheguei ao último andar, coloquei a bolsa afrente do rosto, que nem uma máscara — eu só não queria que ele me visse — ele só vai me atrapalhar. Com isso em mente caminhei até o corredor que a recepcionista tinha mencionado e parei exatamente na porta que ela disse que era a sala da senhora Lucélia — assim que vi o que estava escrito na placa ou lado da porta fiquei abismada “ Assessora jurídica" Isso é ironia, não é? Quais são as probabilidades de eu ter me negado à trabalhar com o assessor jurídico que o Adam mencionou e ter vindo logo trabalhar com a assessora jurídica? — Mas quando nós falamos, ele disse que era assessor, homem é não assessora, mulher. Não foi ele quem disse que não trabalhava diretamente com mulheres? Então, por que ele está trabalhando com a senhora Lucélia? É por ser cunhada dele? Agora não é o momento para pensar nisso — sacudi a cabeça na tentativa de afastar esses pensamentos, respirei fundo e b**e a porta do escritório dela. — Pode entrar — a voz dela emergiu de dentro da sala.— Cass, finalmente você chegou. Por que demorou tanto? — É que eu tive um pequeno imprevisto no meio do caminho. Ela olhou para mim como se estivesse analisando a minha alma e então com um sorriso travesso ela disse : — Esse imprevisto tem nome? — Não, não tem. A senhora ainda não falou com o que eu vou trabalhar. — respondi rápido. — Não precisa ter pressa querida . Nós ainda nem assinamos o contrato e tu nem viste as cláusulas. Eh! Eu acho que a aflição me fez esquecer que existem protocolos a serem seguidos — É que uma parte de mim mal pode acreditar que eu vou mesmo trabalhar aqui. Apesar do peso morto que terei que ver todos os dias. — A senhora tem toda razão.— um sorriso tímido se formou nos meus lábios. — Tomá aqui — estendeu o contrato na minha direção — podes ánalisar com cuidado, eu não tenho pressa. No mesmo instante um homem elegante entrou na sala dela — ele tinha uma expressão séria e carregava um notbook em mãos. — Bom dia senhora Lucélia! O senhor A... — Por acaso você é cego? Não está vendo que eu não estou sozinha?— Ela peguntou com um tom calma, mas firme. Nesse instante o homem olhou para mim . — Me desculpa senhora , me desculpa senhorita — fez uma pequena reverência para mim e para a senhora Lucélia . Eu limitei-me a assentir com a cabeça. — Agora sim podes prosseguir Liam. — Senhora, o senhor Adam solicitou a sua presença. — Ao ouvir aquelas palavras os lábios dela se curvaram em um sorriso indescritível que sumiu tão rápido quanto surgiu. Apesar dela parecer legal, tem algo em mim que diz para eu estar constantemente em alerta com ela— Pensando bem, o facto dela querer me contratar só porque eu fiz ela rir, não faz o menor sentido . Agora não pensamentos . Depois eu penso nisso . — Diz para ele que eu estou muito ocupada no momento . — Mas o senhor Adam disse... — Ele me solicitou e eu não estou com tempo para isso, então diz para ele aguardar. — O homem soltou um suspiro cansado e então concordou com ela e se retirou. — Você sabe como é esse ambiente, eu estou sendo solicitada sempre — é bem cansativo. É o momento perfeito para perguntar por que ela trabalha com o Adam apesar da polícia dele. — Será que eu posso fazer uma pergunta para senhora? — Quantas você quiser. Essa resposta deveria ser o suficiente para me motivar a questionar sobre isso, mas... — A senhora pode me pegar adiantado ? Os olhos dela se arregalaram com a questão e, então ela se sentou e disse : — Então você aceita todas as cláusulas do nosso contrato? — Eu aceito sim! — Eu não achei nada irregular ou absurdo por isso sim, eu aceito o trabalho . — Se é assim, não vejo o porquê de não te dar o que pedes. — A senhora não vai me perguntar para que eu quero esse dinheiro? — Para mim desde que você trabalhe bem e sejá eficaz, eu posso te pagar adiantado todos os meses. — Eu farei o meu melhor. — Podes começar a mostrar isso a partir de agora. — O quê? — Eu tenho uma reunião com alguém, então você vai cuidar dessas papeladas para mim — eu vou voltar sedo, não demoro muito. Eu não consegui esconder a emoção que tomou conta de mim e logo sorrisos nervosos escaparam da minha garganta. Não era medo... era impolgação. — A senhora pode demorar o tempo que achar necessário, eu cuidarei de tudo direitinho — a minha empolgação ficou notória na minha voz. — A sala é toda sua. Até mais! — Com elegância impecável, ela se retirou da sala. Logo que ela saiu eu comecei a averiguar as papeladas — tinha um monte de perguntas vinda dos outros departamentos — perguntas essas que para dar as respostas eu nem precisei consultar a constituição... eu tinha cada artigo e códigos relacionados aquelas perguntas em mente. Depois de algumas horas a senhora Lucélia enviou uma mensagem para mim “ Já podes ir para casa. Por conta de alguns problemas que surgiram, eu não vou poder voltar para o escritório " Eu respondi dizendo que “Eu vou sair , só vou rever mais dois documentos " Mas logo dois documentos se tornaram dez... dez, vinte... Vinte, quarenta... e assim foi, até que, um funcionário de terno, mas que mais parecia um segurança entrou na sala e disse : — Senhorita, pretende ficar aqui até que horas? Já são quase onze horas ! — O quê?— Indaguei assustada . — A senhorita não está vendo que o sol lá fora já se foi a muito tempo? Instintivamente olhei para fora através das imponentes janelas de vidro e as únicas luzes que meus olhos encontram foram as dos grandes edifícios que ficavam em torno da firma— Eu realmente tinha perdido a noção do tempo em meio em todos aqueles papéis. — Me dê só vinte minutos e eu já vou embora. — Você tem Quinze minutos. — Dezenove? — Quinze e acabou. — o tom dele não deixava espaço para contestações. sem perder um único segundo chamei um Uber e enquanto ele não chegava, arrumei a maior quantidade de documentos que pode em seções , categorias e departamentos , já que eles só estavam mesmo atirados quando os peguei— Quando o Uber chegou desce logo para ir para casa e quando ele arrancou eu tive a leve impressão de que um carro que eu já tinha visto antes estava nos seguindo. Logo descartei a ideia , afinal atrilha que estávamos fazendo é bem comum . Quando cheguei em casa , encontrei dois rostos familiares , carregando malas enormes enfrente a minha casa. — O que vocês estão fazendo aqui? — questionei, ainda em choque . — É assim que você cumprimenta os seus primos que você nunca mais viu? — Cara me abordou. — Você sabia que a gente chegaria hoje e ainda assim demoraste para voltar! — Jorge afirmou. — Vocês ainda não responderam a minha pergunta. E do que você está falando Jorge? — Você não leu a minha carta? — Que car... — E foi nesse exato momento em que eu lembrei da correspondência que tinha ignorado. — Não, mas o que dizia na carta? — Que a gente estava vindo morar com você! — ela exclamou alegremente. — E por quê? — Nós estamos na luta pela nossa independência. — disse Jorge. — Na minha casa? — Eh! — Jorge exclamou convicto. — É só por algum tempo. Nós só queremos uma opurtunidade de evoluirmos e Nova York é um ótimo lugar para isso. Você sabe como pais podem ser controladores . Não, eu não sei ... Eu nunca conhece o meu pai , minha mãe sequer sabia o nome dele . A minha mãe vivia trabalhando e quando chegava ficava trancada no quarto , nunca sorria , até que morreu de depressão— Então como eu saberia como é ter pais controladores ? Além... além disso... Quando minha mãe morreu ninguém bateu a nossa porta perguntando se a gente precisava de ajuda — quando internei a minha avó no clínica , ninguém foi visita-la . Mas quando são eles que precisam, aquela porta que parecia ser invisível, passa a ser visível aos olhos dele — É incrível como os seres humanos conseguem ser incocistentes.






