Capítulo IV –

Cassandra Moore

Eu cheguei na clínica e já fui logo correndo para o quarto da minha avó. Ela estava lá com os olhos abertos e a expressão serena, serena demais para ser a minha avó. Ao lado dela tinha um médico em pé.

Entrei devagar para a minha avó não me notar, mas ela me notou mesmo assim.

— Cass, minha menina — disse sorrindo.

— Oi dona Rosa! — retribui o sorriso, embora por dentro eu estivesse completamente acabada.

— Sua garota levada, vem cumprimentar direto a sua avó. — esticou os braços para mim.

— Oi vovó! — abracei-a forte.

— Só veio me visitar hoje porquê?

— Eu estive aqui no domingo.

— Estiveste?

— Senhora Rosa, será que posso roubar a sua neta por um instante? — o diretor da clínica indagou.

— Ela mal acabou de chegar. — minha avó retrucou.

— Calma vó, eu não demoro nada. — segue o

diretor até a sala dele.

.

— Você já deve saber o assunto que me levou a te trazer aqui.

— Eu sei que ainda não fiz o pagamento do mês passado, mas o senhor também sabe que eu nunca atrasei um pagamento desde que minha avó está enternada aqui.

— Realmente e é pelo seu excelente histórico de pagamento que a sua avó ainda está aqui. Mas como sabe a sua avó está fazendo o tratamento de duas doenças e que custa bem mais caro, além disso o médico dela disse que as ingeções que ela está que fazer para a diabetes se tornou insuficiente...

— Já entendi, senhor Smith. Não se preocupe na próxima semana farei o pagamento do mês em atraso e o adiantamento do mês seguinte.

— Eu sabia que você seria compreensiva, afinal estamos falando da saúde da sua avó.

— Claro que sim!

Manipulador insensível.

Voltei para o quarto da minha avó e ela já estava em pé procurando por alguma coisa. Essa dona Rosa não ouvi mesmo.

— O que a senhora está fazendo aí?

— Eu estou procurando o meu lenço.

— Por quê? A senhora tem vários.

— Esse foi um presente da sua mãe.

Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos, então não lembro muita coisa sobre ela , na verdade eu lembro sim, eu lembro de nunca vê-la sorrir ou brincar comigo .

— Deixa que eu te ajudo a procurar.

— Cass! — minha avó me chamou com um tom sério, o que nunca era um bom sinal. — Eu quero ir para casa, neste lugar me tratam como se eu fosse louca.

— Nós já conversamos sobre isso.

— Sério que você vai deixar a sua avó morrer nesse lugar rodeada de estranhos — disse em um tom teatral. — Que tipo de neta você é?

— Agora a senhora se tornou das que apelão para o emocional?

— Eu? — Ergueu as mãos ao céu. — O Senhor está vendo isso? Minha neta acabou de me chamar de manipuladora.

— Ah, eu? Eu não fiz isso!

— E agora está me chamando de mentirosa.

Ela continuou a falar um monte de coisas, até finalmente se cansar e ir dormir. Eu fui para casa e encontrei um monte de cartas no meu correio, tirei-às e entrei em casa. Após tomar o meu banho comecei a olhar as correspondências.

A primeira era a carta de uma prima, mas nem abri e às outras eram só de dívidas — gás, água, electricidade , a renda de casa , faturas de remédios que eu ainda não tinha pagado.

Será que pedir um dia de descanso é pedir muito?

Desviei os olhos para o sofá e vi o cartão que a mãe do Dominic tinha me entregado, no cartão está escrito Lucélia Clark . Ela sem dúvida era a minha única esperança nesse momento — Telefonei para ela, mas ela não atendia e quanto mais ela demorava, mais o batimento do meu coração ficava irregular e quando eu desligar por fim — ela atendeu .

— Alô! — A voz dela saiu seca, nem pareceu a mesma mulher com a qual esbarrei hoje.

— Alô, senhora Lucélia, sou eu a Cass, a jovem que a senhora conheceu hoje no elevador.

— Oi querida! Você já decidiu? — a voz dela saiu animada dessa vez.

— Sim, eu já pensei e aceito a tua proposta.

— Que bem querida, nos vemos amanhã as oito — encerrou a chamada.

Assim que ela desligou um notificação caiu no meu telefone, era o contrato que o Adam disse que enviaria. Mas agora já não tem importância alguma.

Na manhã seguinte me arrumei o mais formal possível, prende o cabelo em um rabo de cavalo alto, usei o fato a executiva preto, com saltos pretos e fui logo para firma. — A recepcionista tento desfarçar, mas eu reparei que ela ficou surpresa por me ver aqui de novo.

— Veio ter com o senhor Adam de novo? — cuspiu com desdém.

— Não, dessa vez eu vim ter com a senhora Lucélia Clark — dei um sorriso debochado.

— Tem hora marcada?

— Tenho sim!

— Qual é o seu nome?

— Cassandra Moore — Ela olhou por um instante na tela do computador e então disse :

— Pode subir, último andar, terceiro corredor a esquerda, segunda porta.

— Obrigada !

Peguei o elevador animada, por sorte ele estava vazio, mas parou do nada no vigésimo quinto andar — Quando as portas se abriram o mal pode acreditar.

“Adam ”

Eu tinha mesmo que esbarrar com ele aqui é justo agora? Não devia ser surpresa, eu estou na empresa dele, mas ainda assim...

Ele caminhou devagar até entrar no elevador, mesmo depois de entrar ele não parou de caminhar na minha direção e eu não sabia o porquê, mas eu só conseguia recuar e só parei quando as minhas costas encontraram as paredes metálicas do elevador.

Mesmo eu estando contra a parde ele não parou de caminhar, continuou avançando, era lento, implacável o suficiente para que eu me encherga-se como uma presa. Quando ele chegou mais perto a minha respiração já se encontrava totalmente irregular — Ele pressionou o ombro contra a parede metálica, já estava tão perto que o seu cheiro invadia os meus pulmões. —Me olhava de cima como se eu fosse pequena demais — E comparada a ele, quem sabe eu sejá mesmo.

— Senhor, o senhor está perto de mais — minha voz fraquejou.

— Eu sei, não sou cego!

— Então, será que o senhor pode se afastar só um pouco?

— Você leu o contrato?

— Não, eu não li. Visto que eu não vou trabalhar com o senhor.

— O quê?

— É que diferente do Senhor eu tenho um pouco de bom senso.

— Você tem bom senso?

— Eu disse um pouco.

— Só se for do tamanho de um grão de arroz, afinal uma mulher que perde a virgindade com um desconhecido, não pode ser considerada o auge do bem senso.

— Você também não é a pessoa mais sã do mundo. — Tentei empurra-lo, mas foi em vão.

— Se você não veio aqui por conta do contrato, então por que veio? É para me provocar? — acariciou a minha orelha.

— Além de sem noção é convencido . Eu vim aqui hoje para trabalhar com a senhora Lucélia.

— Lucélia? — Ele se afastou de forma abrupta.

— Exatamente!

Tenho que arranjar uma maneira de sair daqui, se eu ficar mais tempo aqui tenho certeza que nada de bom vai acontecer . Com isso em mente corri até a porta e carreguei em um dos botões e quando eu estava para sair ele me puxou pela cintura.

— Você fica bem mais bonita com o cabelo solto — puxou o punho que prendia o meu cabelo.

— O senhor é algum tipo de lunático? — me virei e b**e forte no peito dele.

— Um pouco, só as vezes! — Ele sorriu mostrando todos os dentes. Ele tem um sorriso lindo.

O que você está falando Cassandra? Se recompõe, mulher!

Ele olhou para o relógio e logo me soltou, eu aproveitei a opurtunidade e saí correndo do elevador.

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