Mundo de ficçãoIniciar sessãoCassandra Moore
Como se eu já não tivesse me cansado o suficiente no trabalho, agora tenho que me estressar na minha própria casa também? — Vocês não vão poder ficar aqui.— fui direta. — O quê? — responderam em simultâneo. — É o que vocês ouviram. — Cass, nós somos família! — Cara enfatizou o termo família . Até parece que eles já tinham agido como tal. Jorge apertou a alça da mala com a mandíbula travada e então disse : — Por que você está fazendo isso? Nós nunca te fizemos nada de mal! Eu virei o rosto para que eles não vissem o sorriso escárnio que se formou nos meus lábios. — Você se acha melhor que a gente só porque cresceu na cidade, não é? Só que você não é melhor que ninguém aqui. — continuou gritando, apontando o dedo no meu rosto. Era só isso que me faltava. Ser calúniada em frente a minha casa — a casa que a minha avó tanto se esforçou para construir. — Você não entende nada sobre bem ou o mal, por acaso é necessário apontar uma arma na cabeça de alguém para fazer o mal? Você não fez nada de mau? E o que você já fez de bom para mim? E para dona dessa casa, o que você já fez? — minha voz estava alta, o que fez com que os vizinhos saíssem fora para observar a cena. Mas eu não estava nem aí para isso. — A nossa família comprou um monte de presentes para o seu casamento, um casamento ao qual você nem apareceu. — Jorge afirmou como se fosse uma grande coisa. — Sim, a única coisa sua que apareceu lá foi um vestido de noiva, manchado de sangue — Cara acrescentou. Eles são podiam estar brincando com a minha cara. — tomada pela fúria eu cravei as unhas sobre a palma da mão com tanta força que minha mão começou a sangrar. — Vocês não têm vergonha de levantar esse assunto? Eu faltei no meu casamento e, aparece um vestido de noiva manchado de sangue e ainda assim vocês não ligaram — cinco anos mais tarde quando é conveniente vocês lembram que eu existo ? Que bela família eu tenho — ironizei a última frase batendo palmas. Um silêncio pesado e quase palpável se instalou assim que os meus aplausos sarcásticos cessaram. — Nós não queremos gente hipócrita na nossa vizinhança — dona Zoe exclamou quebrando o silêncio . Os olhos da Cara e do Jorge se arregalaram ao ouvir aquilo e, por um lado até eu fiquei surpresa, mas a raiva tomava das minhas feições . — Como vêem pedir abrigo depois de fazerem uma coisa como essa? — Há pessoas que não têm um pingo de vergonha na cara. Minha avó era muito querida nessa comunidade e talvez por isso eles estivessem me defendendo. Por que outro motivo seria? — É isso mesmo. Se você quiser a gente tira eles daqui, nem que sejá a força. É só dizer ,Cass— Philippe, um vizinho que morava na casa a frente da minha afirmou. Eu senti meus olhos arderem pelas lágrimas que se formavam — não iria deixar ninguém vê-las escorrer. Levantei ainda mais o rosto e então afirmei. — Não é necessário, eu acho que eles já entenderam. Me desculpem pelo inconveniente — fiz uma pequena reverência para os meus vizinhos. — Para nós não é nenhum incomodo. — A sua avó fez muito por todos nós, é o mínimo que podíamos fazer. Eh! Minha avó é incrível. Uma onda de calor percorreu o meu peito, a minha voz parecia funda demais e antes que a lágrima que estava na ponta dos olhos caíssem, dei um leve aceno de cabeça e entrei em casa. Assim que entrei, aquela lágrima finalmente caiu, meu corpo deslizou pela porta, até chegar ao chão , lembranças do que minha avó e eu tínhamos passado depois daquilo , depois do meu erro preencheram a minha mente e quando outras lágrimas tentaram cair uma frase que a minha avó dizia muito invadiu a minha mente. “ Cass, você até pode chorar, mas não te esqueças que o tempo que levas te lamentando— é tempo que devias estar te reconstruindo " Eu me conheço melhor que ninguém e, sei bem que se eu começar a me lamentar agora, eu não vou terminar assim tão sedo . Com o coração pesado respirei fundo tentando me recompor — com dificuldade me levantei e fui tomar um banho de água gelada, mas isso não tirava a culpa que eu carregava nos ombros. Assim que fui para cama encontrei uma mensagem de um número não registrado, perguntando: “ Você chegou bem? " Não sabendo quem era não vi necessidade de responder. ... Na manhã seguinte, cheguei bem sedo na firma e fui direto para a sala da senhora Lucélia — ela ainda não tinha chegado por isso continuei a arrumar o que não tinha terminado de arrumar ontem. — Você chegou cedo, Cass! — a voz da senhora Lucélia emergiu atrás de mim, me fazendo soltar um grito que logo abafei com as mãos. — Te assustei?— sorriu. — Só um pouco.— respondi retomando o que fazia. — Você está com orelhas horríveis! sem olhar para ela eu apenas respondi : — Aié? Eu nem percebi— minha voz saiu entediada. — O segurança disse que uma funcionária nova saiu daqui bem tarde ontem. — Ela deve ser bem desocupada — respondi , sem desviar os olhos do que fazia. — É assim que você fala de si mesma? Eu estava lutando a meses para ler todas aquelas papeladas, você faz isso em um dia e, dizes que é ser desocupada? Finalmente me virei para encará-la. — Mas tudo bem, eu não digo mais nada. Será que você pode ver um caso para mim? Me animei um pouco ao ouvir a última frase. — Sim ,é claro! É sobre quê? — meu tom mostrava a minha animação. — Ao menos já sei como arrancar um sorriso do seu rosto. Você vai ter que tratar desse caso com Adam. Um dos meus pés recuou, o suor frio tomou conta da minha testa e senti minhas mãos tremeram. — O que foi? Se você está preocupada com a eficácia dele, fica sabendo que em 17 anos de carreira ele nunca perdeu nenhum caso. Se fosse em outras circunstâncias talvez eu ficasse feliz e até impressionada, mas diante dessa situação eu sou conseguia pensar que talvez eu sejá realmente azarada. — Acabei de lembrar que não será possível. —E por quê? É por que é o Adam? Foi nesse momento que uma lembrança bateu forte, a polícia dele. — Ele não trabalha diretamente com mulheres!— a expressão dela mudou rápido, como se tivesse escutado uma coisa importante que ela tinha esquecido —E eu também não quero trabalhar com ele. — Eh! Eu vou ver outra coisa para você fazer. O meu coração ficou bem mais leve depois de ouvir isso. — Eu ficarei esperando senhora Lucélia ! — Você pode me chamar só de Lu — a voz dela saiu no tom quase maternal. — E se for senhora Lu? — Senhora Lu? — repetiu como se estivesse analisando o termo. — Tudo bem, é bem menos pesado com relação a senhora Lucélia. Verdade sejá tida, eu amo meu pai, mas ele não é o melhor a dar nomes. — Mas eu acho o seu nome bonito! — É porque tu és uma fofa. — A senhora é que sabe deixar as pessoas confortáveis. ... O dia foi bem mais calma — conhece alguns funcionários, o pessoal daqui é bem competente. A semana terminou e, não me esbarrei mais com o Adam , eu estava bem eleviada por isso, mas logo lembrei que na semana seguinte, além de fugir do Adam, eu teria que evitar a todo custo esbarrar com o Dominic. O meu trabalho depende disso — se a senhora Lucélia descobrir que eu sou a mulher que abandonou o filho dela no altar — toda essa simpatia que ela tem por mim... também, que mãe gostaria de trabalhar com a mulher que humilhou o filho. Nessa hora eu pensei — e se ela me conhece?... foi por isso que me contratou? Se for um plano dela e do Dominic para se vingarem de mim?






