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Capítulo III – Revelação chocante

Cassandra Moore

Por que ele veio trazer o meu currículo pessoalmente, se deve ter um monte de funcionários a disposição dele ? Ele é estranho.

— Fica calma Cass, isso não é nada demais — disse para mim mesma.

Fui para cama tentar dormir, mas os meus pensamentos não me deixavam dormir em paz — as lembranças daquela noite e o que veio depois dela continuavam me atormentando, com esse tormento todo passei a noite toda em claro .

Às cinco me levantei e fui logo me arrumar e às seis já estava fora de casa . Quando cheguei a recepcionista olhou para mim como se estivesse vendo um fantasma, ou alguém que não esperava reencontrar.

—Bom dia! Vim ter com o CEO Adam.

— Tem hora marcada?

— Tenho sim. Cassandra Moore. — ela digitou alguma coisa e então disse :

— Pode subir!

Peguei o elevador e ao chegar na frente da sala dele, minhas pernas ficaram trêmulas e a minha respiração ofegou — apesar de não querer admitir, vê-lo mexe comigo .

— Vai continuar aí até quando? — a voz dele soou de dentro da sala. Eu prontamente abri a porta da sala. E lá estava ele, com aquela mesma expressão indecifrável e aquele ar de arrogante.

— Sente-se senhorita Moore!— apontou para a cadeira ao meu lado. — O R. H esteve analisando o seu currículo... nele diz que a senhorita se formou com honras no ensino médio e que tem habilidades incríveis, mas não concluiu o superior, por quê?

— EU... eu , foi por conta de assuntos familiares.

— Eh? Mas como deve imaginar, a nossa firma tem exigências acadêmicas .

Então foi para isso que ele me chamou aqui? para ter a chance de me humilhar. Só que eu não vou deixar isso assim.

— Se era só isso que tinha para dizer, eu vou me retirar — disse-o levantando-me . Foi nesse momento que vi uma mesinha atrás da mesa dele com um retrato em que na imagem tinha três homem. Um deles era o antigo CEO, o outro era o Adam e o último era ele — Dominic... o meu ex.

— Não consegue evitar levar a mão à boca, meu coração ficou acelerado ,o ar já não chegava aos pulmões e a visão se fazia turva. O que esse retrato no escritório dele significa?

— Senhorita Moore — chamou — a senhorita senti-se bem? Precisa de alguma coisa? — Já tinha se levantado e caminhava até mim — É falta de insulina? É isso? — a sua voz não saiu tão firme quanto o habitual, não, parecia fraca.

— Eu estou bem, foi só uma queda de pressão — gaguejei.

— Mostra o aparelho.

— O quê?

— Deixa eu ver o aparelho — não esperou a minha resposta , tirou a manga do meu blazer e monitorisou o meu aparelho — Não tem nada — afirmou eleviado.

— Eu disse que não era nada! — afastei o braço — Quem é o homem no meio da imagem? — Ele não respondeu de imediato, se virou e olhou para a foto como se a estivesse analisando.

— É o meu sobrinho.

O quê? De tanta gente que tinha no mundo você tinha logo que ser um parente dele ? Se a diabetes não me matar, o meu azar certamente o fará.

— Talvez a senhorita, venha a conlhece-lo . Ele vai começar um estágio aqui a partir da próxima semana — Continou.

— Sério? Ele é um sortudo. — forcei um sorriso — Espero que o senhor encontre o tipo de pessoa que procura para trabalhar ao seu lado .

— Eu já encontrei.

— Que bom para o senhor.

— Você vai estar melhor amanhã ? É que você vai precisar organizar algumas papeladas.

— Eu não vou não!

— Como não, se isso é o básico para você se organizar para o seu estágio como assistente jurídica do assessor jurídico?

— Eu não entendi.

— O que a senhorita não entendeu? Eu estou recrutando a senhorita para um estágio remunerado como assistente do assessor jurídico, pelo que vi da última vez a senhorita gosta de expôr as nossas leis .

— Eu pensei que fosse trabalhar como sua assistente — Quer dizer, trabalhar para um assessor jurídico é legal, mas...

—Já se esqueceu do motivo pelo qual invadiu o meu escritório ontem? Eu não trabalho diretamente com mulheres e a senhorita não será a exceção.

“A senhorita não será a exceção ” Essa frase...

— Eu também não pede isso , trabalhar com o senhor deve ser chato.

— Ainda bem que nos entendemos. Depois daqui a senhorita vai para casa?

— Sim!

— O meu motorista a levará ,e se a senhorita precisar passar em algum lugar primeiro é só dizer e ele te leva.

— Obrigada, mas...

— Se já terminamos a senhorita já pode ir . E não se esqueça de controlar a nível da sua insulina.

— Eu agradeço pela gentileza, mas eu consigo ir para casa sozinha . Eu ainda não sou inválida e muito menos estou com amnésia, agora se o senhor me dá licença. — peguei a minha bolsa e fui embora. Está para nascer o homem que vai me fazer de sua propriedade pessoal.

— Que homem insuportável — falei baixo entrando no elevador vazio — Arrogante imbecil, ele acha que pode mandar em mim ?Se já terminamos a senhorita já pode ir — imitei a voz dele .

— Idiota ! E ainda é tio do Dominic — sussurrei — tinha mesmo que ser tio dele? Talvez a babaquice seja de família. Eu não posso trabalhar aqui, deve ter outros locais.

— Você está falando comigo? — uma moça alta de pele escura , muito elegante me abordou fazendo-me perceber que eu não estava sozinha no elevador.

— O quê?

— Perguntei se estás a falar comigo. — repetiu — É que desde que entraste não paraste de falar.

— Ah, me desculpa. Eu não ti vi. É que eu tenho o costume de falar sozinha quando estou nervosa.

— Entendi, e o que te deixou nervosa?

— O senhor Clark, aquele babaca, filho de uma égua .

— Qual deles, o meu marido ou o meu cunhado?

— O quê? E qual deles seria o seu marido? — minha voz saiu fraca.

— Eu perguntei primeiro.

— É que eu não sei qual deles é o seu marido e qual é o seu cunhado .

— Arthur Clark é o meu marido e Adam Clark o meu cunhado.

Ou sejá ela é a mãe do Dominic. Lembro dele dizer que a mãe era Afro-america, mas não liguei porque ele não tinha quais queres traços . E também ele nunca me apresentou a família, não porque ele não quisesse, foi ao contrário, eu que não queria... mas vendo agora, isso teria mudado muita coisa.

— Você ainda não me respondeu querida! — falou , me fazendo sair da bolha dos meus pensamentos.

— Ah, desculpa . Foi com o senhor Adam que eu falei.

— Por isso você saiu assim! O Adam é irritantemente sério quando está no trabalho, mas é bem alegre.

— Isso explica a sua mudança de comportamento a cada encontro que temos. Eu já estava começando a achar que ele é bipolar .— sussurrei a última parte ao ouvido dela em tom de deboche e ela riu alto.

— Você é engraçada, gostei de você — deu um tapinha no meu ombro — espero poder te encontrar mais vezes.

— Creio que não será possível. .

— Por quê? O Adam continua com essa besteira de não trabalhar diretamente com mulheres?

— Sim! Porém não é só por isso que eu não vou poder trabalhar aqui. .

— O que te impende?

— É que ontem eu invadi o escritório dele e hoje eu acabei dizendo o que não devia. E também trabalhar aqui e perto dele pode não ser o melhor para mim — o elevador parou.

— Então é você? — um sorriso terno preencheu os lábios dela — Você tem algum problema com a firma? .

— Não, é claro que não, meu sonho sempre foi trabalhar aqui...

— Então que não sejá por isso, se o seu problema é o Adam, você pode vir trabalhar comigo. — rebateu saindo do elevador.

A questão é que o meu problema não é só o senhor Adam.

— Eu não acho que...

— Por favor aceita ! Prometo que pago bem!

Talvez eu deve-se cogitar a ideia de trabalhar com ela, afinal eu não dormi com ela.

— Eu vou pensar!

— É claro querida, vai no seu tempo!

— Obrigada!

Caminhamos juntos até a saída e nos despedimos casualmente.

— Quando eu chegar em casa, vou comer algo bem doce para tirar esse gosto de amargo da boca.

Era isso que eu queria fazer, mas meu telefone tocou— era o número da clínica onde a minha avó estava enternada.

— Oi — minha voz saiu fraca.

— Senhorita Moore a sua avó está tendo outra crise, a gente... — Eu ouvi as primeiras partes, mas depois a voz do outro lado da linha começou a ficar longe, distante demais — eu não conseguia mais ouvir nada, ou era só o meu cérebro que não conseguia responder. Acorda Cass, estamos falando da sua avó. A única família que te resta nesse mundo.

—Eu já estou indo para lá —encerrei a chamada já correndo para a paragem de ônibus.

Vovó , não me deixa também! Se a senhora se for, tudo pelo qual trabalhei terá sido em vão.

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