Mundo de ficçãoIniciar sessãoCassandra Moore
Por que ele veio trazer o meu currículo pessoalmente, se deve ter um monte de funcionários a disposição dele ? Ele é estranho. — Fica calma Cass, isso não é nada demais — disse para mim mesma. Fui para cama tentar dormir, mas os meus pensamentos não me deixavam dormir em paz — as lembranças daquela noite e o que veio depois dela continuavam me atormentando, com esse tormento todo passei a noite toda em claro . Às cinco me levantei e fui logo me arrumar e às seis já estava fora de casa . Quando cheguei a recepcionista olhou para mim como se estivesse vendo um fantasma, ou alguém que não esperava reencontrar. —Bom dia! Vim ter com o CEO Adam. — Tem hora marcada? — Tenho sim. Cassandra Moore. — ela digitou alguma coisa e então disse : — Pode subir! Peguei o elevador e ao chegar na frente da sala dele, minhas pernas ficaram trêmulas e a minha respiração ofegou — apesar de não querer admitir, vê-lo mexe comigo . — Vai continuar aí até quando? — a voz dele soou de dentro da sala. Eu prontamente abri a porta da sala. E lá estava ele, com aquela mesma expressão indecifrável e aquele ar de arrogante. — Sente-se senhorita Moore!— apontou para a cadeira ao meu lado. — O R. H esteve analisando o seu currículo... nele diz que a senhorita se formou com honras no ensino médio e que tem habilidades incríveis, mas não concluiu o superior, por quê? — EU... eu , foi por conta de assuntos familiares. — Eh? Mas como deve imaginar, a nossa firma tem exigências acadêmicas . Então foi para isso que ele me chamou aqui? para ter a chance de me humilhar. Só que eu não vou deixar isso assim. — Se era só isso que tinha para dizer, eu vou me retirar — disse-o levantando-me . Foi nesse momento que vi uma mesinha atrás da mesa dele com um retrato em que na imagem tinha três homem. Um deles era o antigo CEO, o outro era o Adam e o último era ele — Dominic... o meu ex. — Não consegue evitar levar a mão à boca, meu coração ficou acelerado ,o ar já não chegava aos pulmões e a visão se fazia turva. O que esse retrato no escritório dele significa? — Senhorita Moore — chamou — a senhorita senti-se bem? Precisa de alguma coisa? — Já tinha se levantado e caminhava até mim — É falta de insulina? É isso? — a sua voz não saiu tão firme quanto o habitual, não, parecia fraca. — Eu estou bem, foi só uma queda de pressão — gaguejei. — Mostra o aparelho. — O quê? — Deixa eu ver o aparelho — não esperou a minha resposta , tirou a manga do meu blazer e monitorisou o meu aparelho — Não tem nada — afirmou eleviado. — Eu disse que não era nada! — afastei o braço — Quem é o homem no meio da imagem? — Ele não respondeu de imediato, se virou e olhou para a foto como se a estivesse analisando. — É o meu sobrinho. O quê? De tanta gente que tinha no mundo você tinha logo que ser um parente dele ? Se a diabetes não me matar, o meu azar certamente o fará. — Talvez a senhorita, venha a conlhece-lo . Ele vai começar um estágio aqui a partir da próxima semana — Continou. — Sério? Ele é um sortudo. — forcei um sorriso — Espero que o senhor encontre o tipo de pessoa que procura para trabalhar ao seu lado . — Eu já encontrei. — Que bom para o senhor. — Você vai estar melhor amanhã ? É que você vai precisar organizar algumas papeladas. — Eu não vou não! — Como não, se isso é o básico para você se organizar para o seu estágio como assistente jurídica do assessor jurídico? — Eu não entendi. — O que a senhorita não entendeu? Eu estou recrutando a senhorita para um estágio remunerado como assistente do assessor jurídico, pelo que vi da última vez a senhorita gosta de expôr as nossas leis . — Eu pensei que fosse trabalhar como sua assistente — Quer dizer, trabalhar para um assessor jurídico é legal, mas... —Já se esqueceu do motivo pelo qual invadiu o meu escritório ontem? Eu não trabalho diretamente com mulheres e a senhorita não será a exceção. “A senhorita não será a exceção ” Essa frase... — Eu também não pede isso , trabalhar com o senhor deve ser chato. — Ainda bem que nos entendemos. Depois daqui a senhorita vai para casa? — Sim! — O meu motorista a levará ,e se a senhorita precisar passar em algum lugar primeiro é só dizer e ele te leva. — Obrigada, mas... — Se já terminamos a senhorita já pode ir . E não se esqueça de controlar a nível da sua insulina. — Eu agradeço pela gentileza, mas eu consigo ir para casa sozinha . Eu ainda não sou inválida e muito menos estou com amnésia, agora se o senhor me dá licença. — peguei a minha bolsa e fui embora. Está para nascer o homem que vai me fazer de sua propriedade pessoal. — Que homem insuportável — falei baixo entrando no elevador vazio — Arrogante imbecil, ele acha que pode mandar em mim ?Se já terminamos a senhorita já pode ir — imitei a voz dele . — Idiota ! E ainda é tio do Dominic — sussurrei — tinha mesmo que ser tio dele? Talvez a babaquice seja de família. Eu não posso trabalhar aqui, deve ter outros locais. — Você está falando comigo? — uma moça alta de pele escura , muito elegante me abordou fazendo-me perceber que eu não estava sozinha no elevador. — O quê? — Perguntei se estás a falar comigo. — repetiu — É que desde que entraste não paraste de falar. — Ah, me desculpa. Eu não ti vi. É que eu tenho o costume de falar sozinha quando estou nervosa. — Entendi, e o que te deixou nervosa? — O senhor Clark, aquele babaca, filho de uma égua . — Qual deles, o meu marido ou o meu cunhado? — O quê? E qual deles seria o seu marido? — minha voz saiu fraca. — Eu perguntei primeiro. — É que eu não sei qual deles é o seu marido e qual é o seu cunhado . — Arthur Clark é o meu marido e Adam Clark o meu cunhado. Ou sejá ela é a mãe do Dominic. Lembro dele dizer que a mãe era Afro-america, mas não liguei porque ele não tinha quais queres traços . E também ele nunca me apresentou a família, não porque ele não quisesse, foi ao contrário, eu que não queria... mas vendo agora, isso teria mudado muita coisa. — Você ainda não me respondeu querida! — falou , me fazendo sair da bolha dos meus pensamentos. — Ah, desculpa . Foi com o senhor Adam que eu falei. — Por isso você saiu assim! O Adam é irritantemente sério quando está no trabalho, mas é bem alegre. — Isso explica a sua mudança de comportamento a cada encontro que temos. Eu já estava começando a achar que ele é bipolar .— sussurrei a última parte ao ouvido dela em tom de deboche e ela riu alto. — Você é engraçada, gostei de você — deu um tapinha no meu ombro — espero poder te encontrar mais vezes. — Creio que não será possível. . — Por quê? O Adam continua com essa besteira de não trabalhar diretamente com mulheres? — Sim! Porém não é só por isso que eu não vou poder trabalhar aqui. . — O que te impende? — É que ontem eu invadi o escritório dele e hoje eu acabei dizendo o que não devia. E também trabalhar aqui e perto dele pode não ser o melhor para mim — o elevador parou. — Então é você? — um sorriso terno preencheu os lábios dela — Você tem algum problema com a firma? . — Não, é claro que não, meu sonho sempre foi trabalhar aqui... — Então que não sejá por isso, se o seu problema é o Adam, você pode vir trabalhar comigo. — rebateu saindo do elevador. A questão é que o meu problema não é só o senhor Adam. — Eu não acho que... — Por favor aceita ! Prometo que pago bem! Talvez eu deve-se cogitar a ideia de trabalhar com ela, afinal eu não dormi com ela. — Eu vou pensar! — É claro querida, vai no seu tempo! — Obrigada! Caminhamos juntos até a saída e nos despedimos casualmente. — Quando eu chegar em casa, vou comer algo bem doce para tirar esse gosto de amargo da boca. Era isso que eu queria fazer, mas meu telefone tocou— era o número da clínica onde a minha avó estava enternada. — Oi — minha voz saiu fraca. — Senhorita Moore a sua avó está tendo outra crise, a gente... — Eu ouvi as primeiras partes, mas depois a voz do outro lado da linha começou a ficar longe, distante demais — eu não conseguia mais ouvir nada, ou era só o meu cérebro que não conseguia responder. Acorda Cass, estamos falando da sua avó. A única família que te resta nesse mundo. —Eu já estou indo para lá —encerrei a chamada já correndo para a paragem de ônibus. Vovó , não me deixa também! Se a senhora se for, tudo pelo qual trabalhei terá sido em vão.






