Por mais bagunçado que fosse... estar ali, com ela, ainda era o lugar onde eu me sentia mais viva.
O "trabalho" foi ficando cada vez mais de lado.
As folhas estavam lá, espalhadas, mas nossas conversas começaram a escorregar pra tudo menos o tema da aula.
Falamos de músicas, do quanto eu odiava filme de terror, de como Ever detestava salada. Rimos tanto que em certo ponto eu precisei encostar a cabeça na mesa, com o estômago doendo.
E foi ali, com ela me olhando daquele jeito, que senti o ar mudar.
Ever ficou me observando em silêncio, o sorriso dela perdendo o deboche e ganhando algo que fazia meu peito ficar pequeno.
— Quer subir pro meu quarto? — ela perguntou, num tom tão casual que quase me enganou.
Mas o olhar dela... nada tinha de casual.
Engoli em seco, o coração disparando. Assenti devagar.
Ela se levantou, deu a volta na mesa e me puxou pela mão, sem dizer mais nada. Subimos a escada em silênc