A primeira coisa que Amélia sentiu quando despertou foi o frio.
Não era um frio comum, não era o frio leve da madrugada ou o arrepio passageiro de uma corrente de vento. Era um frio profundo, úmido, pesado, daqueles que parecem entrar nos ossos e permanecer ali, silenciosos, esperando para corroer tudo aos poucos. O ar cheirava a umidade, terra antiga e algo mais… algo selvagem e podre, como sangue seco escondido há muito tempo. Ela tentou respirar fundo, mas o peito doeu imediatamente, lembran