Arthur Montenegro
Fiquei parado diante da janela por um longo tempo, sem perceber quanto tempo se passava. A cidade lá fora continuava agitada, iluminada, indiferente ao turbilhão que havia se instalado dentro de mim. Carros passando, luzes acendendo nos prédios, pessoas voltando para suas casas depois de um dia comum. Tudo parecia normal demais para alguém que, poucos minutos antes, tinha visto o próprio passado atravessar a porta da sua casa sem pedir licença. Meu pai.
A palavra ainda soava e