Donatela
A casa estava silenciosa, como sempre ficava quando o vinho era trocado pelo sangue da suspeita. As cortinas pesadas de veludo verde escuro filtravam a luz da lua, que esgueirava-se por entre as folhas da videira que escalava a varanda. Eu podia ouvir o tique-taque lento do relógio antigo no salão — um som que normalmente me confortava. Mas naquela noite, ele parecia zombar de mim, marcando os segundos da minha crescente desconfiança.
Victorio chegou atrasado. Como sempre, cheiro de