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Hotel Grand Palace Sant'doro

Samantha 

Hoje é o meu primeiro dia no Hotel, estou extremamente ansiosa, pois não sei muito o que fazer, mas vou me esforçar o bastante para conseguir me manter por muito tempo aqui. Meu objetivo é ficar até eu me formar e conseguir atuar na área que eu escolhi. Vou trabalhar duro para que eu consiga. 

Passei pela portaria e segui todas as instruções do segurança. Ao chegar nas dependências para funcionário, procurei a Senhora Olga. Ela era a responsável pelas arrumadeiras, dizem que ela é muito exigente, mas que é bastante justa e tem o coração bom. Ela é a governanta. 

Fiquei em uma pequena sala junto com mais 3 candidatas que passaram no processo, porém não me lembrava delas no dia em que eu fiz minha entrevista. Não demorou muito entrou uma senhora, alta, cabelos pretos preso em um coque, vestida com um uniforme marsala com o logotipo do hotel bordado no lado esquerdo em dourado, pequeno porém perceptível, meias calça preta e sapato pretos de salto alto fino.

_ Bom dia meninas, me chamo Olga Montovani, podem me chamar de Sra Montovani. Sou a governanta de vocês, tudo que vocês precisarem em relação ao serviço de vocês podem procurar a mim ou a gerente do setor. Cada andar é considerado um setor, portanto cada andar tem uma gerente que estará identificada no quadro de avisos na entrada do vestiário de vocês. Me acompanhem, vou apresentar o Hotel. A partir de hoje, a segunda casa de vocês.

 Passamos por um corredor comprido, com algumas portas e no final desse corredor havia um enorme salão, muito movimentado, com uma tv , mesas, cadeiras, uma janela bem grande . 

_ Aqui é o espaço de “descompressão” . Nos intervalos os funcionários vêm aqui para descansar um pouco e se distrair. 

Continuamos andando e no final desse salão havia outro com várias mesas bem compridas com bancos, deduzi que fosse o refeitório e estava certa, Sra Montovani nos apresentou logo em seguida.

Ela nos apresentou todas as dependências dos funcionários, nos levou a uma sala que parecia uma sala de aula, onde havia uma outra mulher nos aguardando, cujo o nome era Patrícia, ela era responsável por nos ensinar como era feito o serviço, como deveríamos nos comportar nas dependências do hotel, como deveríamos tratar os hóspedes, entre outras afazeres. Foi um minicurso com duração de uma semana. Ao final desse curso, passamos por uma prova prática e só após, nós seríamos contratadas. 

A semana foi passando e me desdobrava entre o hotel e a faculdade. Chegava em casa tarde da noite e mal consegui ver Alice.

Chegou o dia que seria a prova prática do hotel, como de costume, levantei cedo, fiz minha higiene pessoal, me troquei, tomei um café rápido e saí com destino ao hotel. 

Ao chegar no hotel, notei que as pessoas estavam bem tensas, Sra Montovani, mal nos cumprimentou e deixou uma outra pessoa responsável para aplicar a prova. A movimentação estava diferente naquele dia e ninguém estava respirando praticamente, todos pareciam estar em uma grande correria. 

Fomos encaminhadas para área que seria a prova, um quarto modelo, acredito que todo treinamento de funcionários era feito nesse quarto. A prova começou, cada uma de uma vez. E cada coisa que fazíamos era verificada em uma planilha que estava com Sheila, a mulher que estava aplicando a prova. 

Ao final da prova, nos deixaram aguardando no quarto, enquanto a planilha era verificada pela  Sra Montovani, que logo após alguns minutos entrou no quarto com o resultado. Fomos todas aprovadas e parabenizadas. Fomos orientadas a passar no RH para pegar uniforme completo, crachá de acesso às dependências do hotel e assinatura de alguns documentos de admissão.

Fomos apresentados à equipe que estaríamos nos juntando. O hotel estava bastante movimentado, era início de um feriado prolongado e estava tendo algum tipo de visita inesperada da diretoria. Assim Vanessa me contou. 

Vanessa é uma das moças que também é arrumadeira. Trabalha no hotel há cinco anos, tem dois filhos, é divorciada mas tem um namorado. Fui designada para estar no mesmo andar que ela. Peguei meu carrinho de limpeza, peguei a lista dos quartos que precisava organizar e fui caminhando junto com Vanessa e mais 4 meninas. No andar em que estávamos tinha 24 quartos, no sétimo andar, e nos dirigimos para lá. 

Começamos nosso trabalho, Vanessa estava me ajudando muito e conversamos bastante , ela era uma pessoa bem falante e alegre, tinha uma risada muito engraçada. Quando eu estava terminando um dos quartos, Vanessa me pediu para partir para o próximo, que ela terminava ali, assim iríamos para o almoço mais cedo. Assim eu fiz, quarto 706, bati na porta antes de entrar, esse era o procedimento. Bater três vezes e informar que era a arrumadeira. Não tive nenhuma resposta e entrei, comecei tirando os lençóis da cama, coloquei no carrinho, separei meu kit limpeza e fui em direção ao banheiro. Entrei e me assustei com o que estava vendo. Um homem em pé na frente da pia, sem camisa, ou melhor, lavando uma ponta da camisa na pia, mas não pude deixar de reparar na beleza dele. Mesmo que fosse tão rápido. 

_ Oh! Me desculpa, achei que não estivesse ninguém, me desculpe senhor, bati três vezes, me identifiquei, mas não obtive resposta e por isso entrei. Me perdoa, senhor. 

Disse essas palavras de cabeça baixa e com o rosto queimando de tanta vergonha, e com muito medo de perder meu emprego. 

De repente, uma voz forte, marcante e rouca se dirigiu a mim 

_ Está tudo bem, o erro foi meu, pode continuar com seu trabalho. 

_ Desculpa, novamente senhor, mas talvez eu possa ajudar, isso é uma mancha de café? 

_ Sim …é 

_ Água morna com um pouquinho de detergente pode ajudar a remover.

Enquanto eu falava, fui abrindo umas das torneiras com água quente que tinha no banheiro, molhei uma das toalhas limpas que tinha no carrinho e coloquei um pouquinho de detergente.

_ Posso? 

Ele esticou o braço com a camisa nas mãos e me entregou.

Fui passando delicadamente a toalha sobre o tecido da camisa, até a mancha ficar imperceptível. Sequei com o ferro a vapor portátil que tinha no carrinho . E ele ficou imóvel, só observando o que eu estava fazendo.

_ Pronto, terminei! Não ficou perfeito, mas acredito que dê para o senhor usar até o final do dia, mas se preferir, aqui no hotel tem uma lavanderia, eu poderia levar para o senhor se preferir. 

_ Qual o seu nome, senhorita? 

_ Samantha. Meu nome é Samantha e mais uma vez peço desculpas pelo transtorno.

_ Obrigado Samantha.

E assim ele vestiu a blusa e saiu do quarto sem dizer mais nada e quando ele passou pela porta do quarto, esbarrou em Vanessa que desviou na hora, se desculpando e ao mesmo tempo se assustando quando viu quem era. 

_ O que aconteceu aqui? O que o “todo poderoso” estava fazendo aqui? Ou melhor, o que você estava fazendo aqui com ele? 

Vanessa me encheu de perguntas, que eu mal conseguia assimilar. Tentei responder todas ou quase todas.

_ Eu vim para o quarto como você me pediu, para adiantar o serviço, bati três vezes, me identifiquei em todas elas e ninguém respondeu, então entrei.

_ E ai? Como ele foi parar aí dentro como você?

_ Na verdade, eu que vim parar aqui dentro com ele. Eu entrei, tirei os lençóis e peguei meu kit limpeza para limpar o banheiro e quando eu entrei, ele estava lá, em pé, tentando limpar uma blusa suja de café. Ajudei ele a limpar a blusa e pronto. Foi somente isso.

_ Você está maluca é? Tá doente? Só pode! Porque não se desculpou e saiu, esse é o procedimento, não podemos ser notadas, lembra? Qualquer coisa que o hóspede precisar, ele liga para a recepção. Não somos autorizadas a interagir com o hóspede. Seu primeiro e último dia de trabalho! 

Vanessa disse essas palavras tão rápido mas que foi como um peso no meu coração. 

_ Meu Deus Vanessa, e agora? O que vou fazer?? Sra Montovani vai me demitir! 

Essas palavras saíram em completa agonia. 

_ Vamos terminar os quartos, e depois lhe damos com esse problema.

_ Vanessa, porque você chamou ele de “todo poderoso” ? É algum político? 

_ Ah sim, é verdade, você não conhece, ele é nada mais e nada menos que Enrico Antonnini Sant'doro. O dono desse hotel! 

Fiquei em estado de choque e naquele momento eu sabia que sim, esse era o meu último dia naquele lugar. 

Terminamos a limpeza daquele andar junto com as outras meninas e fomos para nossa hora de almoço. Ao chegar no refeitório, os boatos eram que toda a diretoria estava no hotel, que estavam em reunião pois havia uma denúncia de corrupção e desvio na área financeira. Todos da administração do Hotel estavam tensos e em uma grande correria, deixando outras pessoas responsáveis pelos funcionários. O incidente com o “todo poderoso” não tinha sido comentado por ninguém e eu não fui chamada na gerência, o que era um bom sinal. Tenho esperança de que não perca meu emprego.

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