Os degraus de concreto do porão pareciam não ter fim. A cada passo que eu dava na escuridão úmida, o ar ficava mais pesado, denso, empesteado com o cheiro inconfundível de poeira de tijolo, mofo e cobre. O silêncio lá embaixo era sepulcral, interrompido apenas pelo som rítmico e agonizante de gotas grossas batendo no chão de cimento.
Quando alcancei o último degrau, a luz fraca de uma lâmpada solitária pendurada num fio descascado iluminou o centro da sala.
Eu parei, o ar fugindo dos meus pulmõ