A justiça tem cheiro de madeira velha, cera de assoalho e hipocrisia engravatada.
Sete meses após a noite em que o subsolo da Monteverde foi banhado em sangue, o Tribunal de Justiça de São Paulo parecia pequeno demais para o tamanho do escândalo. O ar-condicionado central estava no máximo, mas o salão do júri fervia. O silêncio era tão denso que o clique das canetas dos taquígrafos ecoava como tiros isolados.
Eu estava sentada na cadeira de testemunha. O meu vestido preto de corte reto, assinad