Mundo de ficçãoIniciar sessãoEnquanto isso, do outro lado da cidade…
— Oh! Oh! Oh!
Os gemidos da garota debaixo de mim tornam-se mais escandalosos, à medida que acelero os meus movimentos, estocando forte dentro dela. E isso me instiga a continuar. Faço alguns movimentos bruscos, abrindo-a ainda mais para mim e, com uma última estocada, o ápice chega para nós dois. Ofegante e encharcado de suor me deixo cair na cama espaçosa e encaro o teto branco de um quarto de hotel de luxo, ainda tentando recuperar o meu fôlego.
— Você é mesmo um espetáculo, Bernardo.
Ela ronrona manhosa, rouca de desejo, virando-se para depositar alguns beijos pequenos no meu peitoral. Audaciosa, Kátia… ou seria Carina? Não importa. Ela começa a traçar uma linha de beijos até chegar a minha pélvis. Contudo, saio da cama, deixando-a na vontade da segunda rodada e caminho até o bar de canto. Sirvo uma dose de uísque e a bebo de uma vez só. E, quando viro de frente, encontro um par de olhos devoradores em cima de mim. Meu olhar safado passeia pelo seu corpo completamente nu esparramado em cima de uma cama redonda.
Respiro fundo.
A verdade é que não estou me reconhecendo. Diante de mim tem uma loira linda e muito sexy, completamente entregue e disposta a transar, mas eu simplesmente não quero continuar.
— Eu preciso ir — digo de repente, vestindo minha cueca e recolho as roupas que estão espalhadas pelo chão do quarto.
— O que? — inquire atordoada. — Como assim? Eu ainda não acabei com você.
A safada abre as pernas para mim, revelando um universo quente, úmido e escorregadio.
Cacete!
— Pois é, eu acho que já deu por hoje.
Incrédula, a garota arregala os olhos em surpresa.
— O que foi, querido? — Ela desliza para fora da cama e caminha na minha direção com passos quase felinos, e o seu olhar se fixa no meu. — Eu fiz alguma coisa errada? — Sua mão percorre meu peitoral e seus dedos tentam desabotoar os poucos botões que consegui fechar. — Está chateado comigo?
Beijo a sua boca de leve.
— Não estou chateado, baby. Acredite, você foi fenomenal como sempre. Mas realmente tenho um compromisso em… uma hora — minto. — Aproveite o quarto e peça o que quiser. É por minha conta.
Dou-lhe um último beijo e saio do quarto. Dentro do corredor, largo a gravata de qualquer jeito no pescoço e sigo para um elevador. Assim que as portas se fecham, abro uma chamada de vídeo em grupo e em segundos, os rostos de Rafael, Arthur e Bruno preenchem a minha tela.
Rafael é o impulsivo da turma. É sempre o primeiro a transformar qualquer problema em uma boa piada. Arthur é o racional. Um estrategista nato sempre pronto para dar bons conselhos. E, o Bruno é o coração do grupo. Leal até a última gota de sangue. O guardião dos segredos de todos nós. Esses caras são meus irmãos de vida — meus amigos de infância, parceiros de farra e confidentes. Eles estão comigo em cada vitória e em cada queda. Com eles, nunca estarei sozinho.
— Ué, cadê a gostosa? — Rafael pergunta, tentando espiar por cima do meu ombro.
— Que tal um barzinho em meia hora? — sugiro.
— Espera aí. Você deixou a gostosa sozinha em um quarto de hotel e para marcar um barzinho com a macharada? — ele zomba.
— Fala sério, Bernardo! — Arthur resmunga.
— Cara, você está doente? — Bruno retruca, e os três caem na gargalhada.
— É sério? Vocês só vão ficar aí tirando onda da minha cara? — resmungo.
As portas do elevador se abrem e uma morena entra logo em seguida. Vestido curto demais, saltos altíssimos e pernas longas, que atraem meu olhar automaticamente. Ela me lança um olhar carregado de faíscas. Contudo, sacudo a cabeça internamente e desvio meus pensamentos maliciosos.
— Ok, barzinho em meia hora — Bruno confirma.
— Boa!
As portas do elevador voltam a se abrir e eu saio do hotel, ignorando o charme da garota, e sigo direto para o meu carro.
No meio do trânsito, aumento o som para relaxar. O calor escaldante do Rio de Janeiro ferve do lado de fora, mas o ar-condicionado ameniza a sensação, e os vidros fechados abafam os ruídos da cidade — buzinas, gritos, o vai e vem incessante das pessoas nas calçadas. Dentro do carro, é como se eu estivesse protegido dentro de um casulo artificial e silencioso. No sinal vermelho, uma cena prende a minha atenção.
Um homem carrega sua filha pequena nos braços, enquanto envolve a cintura de sua esposa com uma mão. Ele sorri. É um sorriso simples e genuíno. E por algum motivo meu coração dispara acelerado dentro do peito.
É isso, uma família.
A verdade, é que eu passei a minha vida conquistando, dominando e construindo meu império jurídico. Tornei-me um advogado poderoso e respeitado em vários países. Nesse meio tempo, levei lindas e exuberantes mulheres para a minha cama. Mas, diante dessa cena, tudo parece tão… vago e sem sentido.
Respiro fundo, tento afastar o aperto no meu peito e sigo. Pouco tempo depois, estaciono em frente ao Sinatra’s, um bar clássico e atemporal, com um clima de jazz e iluminação intimista. Esse é o nosso refúgio habitual. Uma noite de bebedeira talvez clareie as minhas ideias e com sorte, amanhã estarei consertado.
***
Na manhã seguinte…
— Bom dia, doutor Rocha! — Escuto a voz irritante de Nina, minha secretária do lar invadindo o meu quarto nas primeiras horas do dia, e na sequência, uma luz invade o meu quarto, fazendo-me apertar os olhos no processo.
— Porra, Nina! — resmungo contrariado. — Que horas são?
— Já passa das nove…
— NOVE?! — Praticamente grito, sentando-me no meio do colchão. — Porra, Nina, estou atrasado para uma reunião!
Salto imediatamente para fora da minha cama, revelando a cueca box preta, que faz a minha empregada me comer com os olhos sem qualquer receio.
— Ah, lá em casa! — ela resmunga divertida.
Contudo, não tenho tempo de implicar com suas investidas e corro para o banheiro. A água fria me faz relaxar um pouco e minutos depois, estou pronto para matar mais um leão.
Não demora muito e adentro os largos corredores da agência Rocha & Partners. Aqui eu me transformo eu sou o rei. O poderoso e imponente Bernardo Rocha – advogado de criminalística e atual CEO da empresa. Um homem que leva seu trabalho muito a sério.
— Bom dia, Doutor Rocha!
— Eu sei. Eu sei — resmungo, interrompo a minha secretária, que tenta acompanhar os meus passos largos com o seu jeito desengonçado, devido a sua saia lápis, extremamente apertada. — Eu vou direto para a sala de reuniões agora, Dora e preciso que leve os documentos que pedi para separar ontem.
— É claro, doutor.
Ela faz algumas anotações em seu caderninho e eu me pergunto para que? A final, eu só pedi os documentos. Ela precisa mesmo anotar isso?
— Senhores!
Digo assim que adentro a sala, ocupando o meu lugar a mesa e segundos depois, Dora passa pela porta, entregando algumas pastas para alguns advogados. Falar sobre leis, regências, códigos e tudo referente ao meu trabalho é o meu inverso. A minha dominação. Eu amo o que faço e faço com maestria. E foi com muita perseverança e dedicação que cheguei até aqui.
— Foi um prazer negociar com os senhores!
Resmungo após fazê-los assinar um acordo milionário para o meu cliente e saio da sala me sentindo vitorioso.
— Uau, o Senhor massacrou todos eles! — Dora sibila empolgada, escancarando um sorriso largo. O meu olhar repreensivo a faz engolir o sorriso. — Eu vou ver a sua agenda do dia.
Ela diz séria demais.
— Faça isso, Dora. — Minha secretária faz um menear de cabeça e apressa os passos.







