Mundo de ficçãoIniciar sessão— É, você tem razão — retruco sem jeito. — Nesse caso, saio eu! — Vou imediatamente para o closet e começo a jogar as minhas coisas de qualquer jeito dentro de uma mala maior.
— E vai para onde? — Ele questiona, vindo atrás de mim.
O encaro possessa e ele recua um pouco.
— Para o quinto dos infernos! — grito. — Desde que seja bem longe de pessoas traíras como vocês!
— Pilar, fique calma. O nosso casamento será em poucos…
— Casamento?! — rosno, o interrompendo bruscamente e rio debochada. — Você acha mesmo que vai ter um casamento depois disso?
— Gastamos horrores para isso.
— AH! — grito feito uma louca o assustando. — Não tem mais casamento, seu idiota!
— Como não? Já está tudo pago…
— Que se foda! Eu não vou me casar com um traíra como você.
Paro o que estou fazendo e chego mais perto dele. Receoso, Pedro se afasta um pouco.
— Tomara que você queime no fogo do inferno, Pedro. E tomara que o seu pau apodreça e caia pela raiz.
Institivamente ele leva as mãos para o meio de suas pernas.
— Agora saia da minha frente! — rosno. — SAI DAQUI DROGA! — grito, o empurrando para fora e fecho as portas com força.
Entretanto, desabo a chorar.
— Ai amiga! — Laís lamenta, abraçando-me.
— Mas que droga, Pilar! — Olga abraça nós duas.
— Eu preciso sair daqui — soluço. — Mas que droga, eu... não tenho para onde ir — lamento.
— Como não? Você pode ir para o meu apartamento. Eu sei que ele é bem apertadinho, mas você pode ficar lá o tempo que precisar.
— Ai amiga! — Volto a abraçá-la. — Obrigada!
— Vem, vamos te ajudar a arrumar as suas coisas.
Algumas horas depois, estou no apertado apartamento de Olga, deitada em sua cama estreita e com o meu olhar fixo na imagem do Cristo Redentor, com suas luzes ofuscantes. Ao lado da cama tem um jantar intocado. Contudo, não tenho fome e nem lágrimas para derramar. Penso nas expectativas que criei com esse casamento. No quanto fui burra em fechar a faculdade de administração para viver um sonho de Cinderela.
Respiro fundo.
Eu preciso me reerguer. Procurar um emprego será o meu primeiro passo. Depois, preciso juntar os meus cacos para seguir com a minha vida. Pedro nunca saberá o quanto estou quebrada por dentro.
***
Na manhã seguinte…
— Bom dia! — Olga sibila quando adentro a cozinha compacta do seu AP.
— Bom dia! — digo mesmo sem vontade. Contudo, me sento de frente para uma mesa farta e sirvo-me apenas de uma xícara de café.
— Como está se sentindo, amiga? — Ela pergunta, mas a resposta não podia ser diferente.
— Na merda. — Beberico meu café. — Mas eu vou ficar bem. Eu sempre fico bem, não é?
— O Pedro não parou de me mandar mensagens.
A encaro do outro lado da mesa.
— Ele quer saber como você está?
— E o que você disse para aquele canalha?
Olga dá de ombros.
— Nada. Eu não disse nada.
— Ótimo! Não diga nada mesmo.
— Você vai a algum lugar? — Minha amiga pergunta, analisando as minhas roupas quando fico de pé.
— Preciso arrumar um emprego. E quem sabe consigo retomar a minha faculdade?
Ela pressiona os lábios.
— Eu te admiro muito, Pilar. Outra pessoa em seu lugar estaria arrasada, chorando e lambendo as feridas.
— Estou fodida e mal paga, Olga. Não tenho tempo para ficar em um canto derramando lágrimas. Muito menos lambendo as minhas feridas.
Beijo rapidamente o seu rosto e vou para o meu quarto buscar a minha bolsa, para sair logo em seguida.
Lojas, lanchonetes, bares, escolas... Em todos eles eu só escuto uma frase: não há vagas!
Como ele pode foder com a minha vida assim? Pior, como eu pude deixá-lo foder com a minha vida assim?
Já estou quase desistindo da minha luta, quando uma placa chama a minha atenção;
Precisa-se de bar-girl.
Eu nunca fiz drinks na minha vida, mas não deve ser tão difícil assim... não é?
***
NOTAS DO AUTOR:
Sei que é muito cedo para falar, maaasss... sempre que vocês lerem os capítulos e gostarem por favor, deixem seus comentários. Isso me inspira a escrever mais e, ajuda muitos leitores a encontrar o livro. Ou seja, o crescimento da obra aqui na plataforma depende somente dos comentários de vocês. Um beijo e vamos de capítulos!







