POV: SORAYA
A gargalhada saiu solta, quebrada, fora de controle. Eu já não sentia mais as feridas abertas, nem a prata queimando na carne. Não sentia minha fiel companheira. Não ouvia Mel. O vazio era completo. Assustadoramente completo.
— Com tudo o que eu fiz… — continuei, a voz rouca, pesada. — Com tanto sangue nas mãos, só existe um lugar para onde eu vou.
Mordi os lábios trêmulos, os olhos arderam, mas não deixei as lágrimas caírem. Ergui o queixo com orgulho e desafio, encarando aquele demônio miserável sem baixar o olhar.
— E está tudo bem. — Sorri torto, cruel. — Porque pelo menos no inferno… vou poder reencontrar meu irmão.
— Acha mesmo que eu deixaria sua alma ter isso? — respondeu o demônio de olhos azul-aveludado, a voz baixa e sombria, enquanto pressionava ainda mais a lâmina contra o meu peito, rompendo a pele. — Não. Eu mesmo vou aprisionar sua essência e atormentá-la pela eternidade, por tudo o que fez comigo e com meus lacaios.
— O quê…? — murmurei, a voz falhando qua