CristalDeitada na penumbra do meu quarto, o peito ainda subindo e descendo em solavancos, fungo baixinho enquanto encaro o teto frio, a solidão daquela casa parece me esmagar. Enquanto limpo as lágrimas que insistem em escorrer pela minha têmpora, fico remoendo tudo o que precisei sangrar para chegar até aqui.Sempre foi assim, tive que aprender a lutar e trabalhar muito cedo, logo após o ensino médio, porque permanecer sob o mesmo teto que a minha mãe se tornou uma tortura insuportável. Doía demais ser expulsa do meu próprio lar pela pessoa que deveria me proteger, tudo porque ela preferia nutrir um ciúme doentio do marido com relação a mim, me acusando de coisas nojentas, me xingando com nomes terríveis que ecoam na minha cabeça até hoje.Fecho os olhos com força, espremendo as pálpebras até ver pontos luminosos, em uma busca desesperada na memória por ao menos um gesto de carinho de maternal, um abraço, um beijo na testa, um "eu te amo, minha filha".Nada, um vazio absoluto.Por q
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