Mia estava em pé diante do espelho, mas não era ela.
Os olhos dourados, cor de caramelo, refletiam um choque que atravessava a alma. Ela piscava rápido, tentando acreditar que aquele rosto que não era o seu, mas de uma completa desconhecida para Mia aquilo não era real. Cada mecha loira ondulada que caía sobre os ombros parecia zombar dela.
A voz que saiu, suave, quase frágil, não era a voz firme e letal que sempre carregava poder. Quando tentou falar, apenas um sussurro escapou, rasgando o silêncio frio do banheiro:
— Não... não pode ser...
O coração disparou, martelando no peito como se quisesse escapar do corpo estranho. A respiração veio rápida, irregular, cada inspiração um fio de dor que atravessava os pulmões.
Ela tentou dar um passo para trás, afastar-se do reflexo que a aterrorizava, mas as pernas trêmulas falharam. O mundo girou e ela caiu com um baque surdo no chão frio. A testa bateu nos azulejos, e o sangue se espalhou, quente e metálico.
— Ah! — um grito fraco e sufocado