Sentei na beirada da cama, de frente para o espelho quebrado. Minha imagem refletida ali parecia de outra pessoa: olhos vermelhos, rosto manchado, expressão de quem tinha perdido o rumo.
Eu não tinha emprego.
Não tinha casa.
Não queria voltar a morar com meus pais.
E a ideia de todos sentirem pena de mim me dava náusea.
Deitei de costas, olhando para o teto manchado de umidade. Respirei fundo, tentando pensar. Pensar de verdade.
PENSA.
PENSA.
O choro voltou. Forte. Descontrolado. Gritei, tentan