CAPÍTULO CENTO E SESSENTA E SETE — A DONA DA VOZ.
VICTOR BALTIMOR.
O silêncio que se instalou na cozinha foi imediato e sufocante. Agora éramos só nós três: eu preso nessa cadeira de rodas, Elisa parada à minha frente e aquela menininha no colo dela.
Olhei para a criança e o choque me acertou como um soco no estômago. A semelhança era absurda. Os mesmos olhos, o formato do rosto, o jeito como os cabelos cacheavam levemente nas pontas. Não havia como negar. Aquela menininha era minha filha. O pensamento me atingiu com tanta força que fiquei par