Helena Brandão não acreditava em quedas súbitas.
Tudo, para ela, sempre foi construção.
E se algo estava ruindo, era porque alguém tinha mexido demais nas fundações.
Ela acordou cedo naquela manhã, antes mesmo do primeiro noticiário. Não por ansiedade — por hábito. O corpo ainda obedecia à disciplina de quem comandara salas por décadas.
O café estava frio quando o telefone tocou.
— Helena — disse a voz do outro lado, baixa. — Eles estão se movendo rápido demais.
— Eu sei. — respondeu. — Por isso não vamos reagir como vítimas.
Ela desligou e caminhou até o escritório, os passos firmes, o rosto já recomposto.
O erro de quem estava do outro lado era achar que ela iria se esconder.
Helena nunca se escondeu.
A primeira reação foi silenciosa.
Ligou para três pessoas específicas. Não aliados óbvios. Não conselheiros em evidência. Gente que não aparecia em atas, mas que sempre esteve ali quando decisões precisavam acontecer longe de registros.
— Quero tudo o que vocês tiverem — disse, direta.