A queda de Helena Brandão não começou com algemas.
Começou com distância.
Na manhã seguinte ao posicionamento do instituto europeu, o telefone de Helena tocou menos. As mensagens chegaram mais curtas. As respostas, mais técnicas. O tom — sempre ele — havia mudado.
Não havia mais deferência.
Apenas cautela.
Ela percebeu no primeiro e-mail que leu duas vezes.
“Diante do novo cenário, precisamos reavaliar nossa associação.”
Reavaliar era a palavra que antecedia o abandono.
Helena caminhava pelo escritório amplo do Grupo Brandão com passos firmes demais, como se o corpo quisesse convencer o ambiente de algo que já não era verdade.
— Quero uma reunião agora — disse à assistente. — Com todos.
— Alguns conselheiros estão fora do país. — respondeu a mulher, sem levantar os olhos. — Outros pediram prazo.
Helena parou.
— Prazo para quê?
— Para analisar riscos pessoais.
A frase ficou suspensa no ar.
Helena assentiu, controlando o rosto.
— Avise que começamos sem eles.
A sala de reuniões nunca pa