Dante não reagiu à entrevista de Helena.
Não comentou.
Não respondeu.
Não pediu direito de resposta.
E isso foi o primeiro sinal de que algo estava mudando.
Lívia percebeu naquela manhã, ao vê-lo sentado à mesa com o notebook aberto e o celular desligado — algo raro demais para ser casual.
— Você está quieto demais — ela disse.
Dante não levantou os olhos.
— Porque agora é a hora de ouvir. — respondeu. — Não de falar.
Ele deslizou uma pasta fina sobre a mesa.
Sem logotipo.
Sem identificação.
— O que é isso? — Lívia perguntou.
— O que Helena sempre temeu. — disse ele. — Linha cruzada.
Lívia franziu a testa.
— Explique.
Dante fechou o notebook e finalmente a encarou.
— Até agora, ela tentou enquadrar o caso como disputa de narrativa. — disse. — Sistema contra pessoa. Emoção contra técnica. Luto contra gestão.
— Sim.
— Então vamos tirá-la desse eixo. — continuou. — Vamos mostrar que ela não está sendo atacada… está sendo ignorada por algo maior.
Lívia respirou fundo.
— Como?
Dante abriu