Elisie Bellamy
Eu acordo antes do sol.
O quarto ainda está mergulhado numa penumbra azulada, o tipo de silêncio que só existe antes da casa acordar por completo. O lençol está pesado sobre o meu corpo, mas não é isso que me prende. É o que ficou da noite passada.
As palavras. O tom. O jeito como tudo terminou sem terminar.
Viro o rosto devagar e vejo Lucien dormindo ao meu lado.
Ele está de bruços, o rosto virado para o travesseiro, um braço dobrado sob a cabeça. Respira fundo, tranquilo demais para alguém que me deixou acordada com a cabeça em guerra. A calma dele me irrita. A facilidade com que dorme depois de tudo me incomoda mais do que deveria.
Ontem ele teve a audácia de dizer que a culpa foi minha.
Minha.
Porque eu nadei. Porque eu usei a piscina da casa onde moro. Uma piscina que nunca foi apresentada como proibida, restrita ou vetada. Ninguém nunca me disse que eu não podia entrar ali. Nunca me avisaram. Nunca colocaram regras. Mas, ainda assim, a culpa caiu sobre mim.
Engulo