Lucien Bellamy
O som da festa já me irrita antes mesmo de eu perceber. É como um zumbido constante, insistente, um ruído que tenta se infiltrar na minha cabeça. Eu estou de saco cheio de todo mundo aqui.
A vontade que tenho é de ir embora. De sair pela porta dos fundos, de desaparecer e deixar todos esses idiotas falando sozinhos. Mas não posso. Não hoje. Não no meu casamento.
Pego uma taça da bandeja de algum garçom que passa e tomo um gole como se aquilo fosse resolver alguma coisa. Não resolve, mas diminui a vontade de mandar metade daquelas pessoas calarem a boca.
Algumas vêm me cumprimentar, outras vêm comentar sem parar.
— Um casamento inesperado, senhor Bellamy…
— Ficamos chocados quando soubemos…
— Não imaginávamos que algo tinha acontecido com Vivienne…
— Casar com uma viúva tão recente…
— Isso não parece um pouco precipitado?
Eu escuto, balanço a cabeça, mantenho um fio de educação para não causar um escândalo maior, mas por dentro eu estou contando cada respiração. Cada