Mundo de ficçãoIniciar sessãoNyra não lembrava como havia voltado para a casa da alcateia.
Seus pés tinham caminhado sozinhos.
Seu corpo se movia automaticamente.
Mas sua mente… estava presa naquela clareira.
Na mão de Vespera tocando o rosto de Draven.
No olhar dele.
Frio.
Distante.
Diferente.
Nyra entrou na casa em silêncio. Alguns membros da alcateia estavam passando pelo corredor principal, mas ninguém falou com ela. Talvez tenham sentido algo errado.
Porque uma Luna sempre carregava a emoção da alcateia.
E naquele momento…
Nyra estava desmoronando.
Ela subiu as escadas lentamente até seu quarto. Assim que fechou a porta, suas pernas finalmente cederam.
Nyra se apoiou na parede.
Sua respiração estava irregular.
O peito apertado.
Não apenas pela dor do coração.
Mas pela dor física também.
A pontada voltou.
Mais forte.
Ela levou a mão ao peito novamente.
— O que está acontecendo comigo… — murmurou.
Seu corpo estava estranho há dias.
Tontura.
Cansaço.
Dores repentinas.
Mas ela havia ignorado.
Uma Luna não podia se dar ao luxo de parecer fraca.
Nyra caminhou até a cama e se sentou lentamente.
Seu olhar caiu sobre a parede à frente.
Ali estavam alguns retratos antigos da alcateia.
Entre eles…
Uma pintura feita anos atrás.
Ela e Draven.
O dia em que foram apresentados como Alfa e Luna diante da alcateia.
Nyra parecia tão jovem.
Tão feliz.
E Draven…
Ele estava olhando para ela na pintura como se ela fosse o centro do universo.
Nyra se levantou lentamente e caminhou até o quadro.
Seus dedos tocaram a imagem do rosto dele.
— O que aconteceu com você…? — sussurrou.
Ou talvez…
O que aconteceu com eles.
Uma batida na porta a fez se virar.
— Luna?
Era Kael.
Nyra respirou fundo antes de responder.
— Pode entrar.
A porta se abriu e o Beta entrou no quarto. Seus olhos imediatamente analisaram o rosto dela.
Ele era um guerreiro experiente.
E sabia reconhecer quando algo estava errado.
— Você não parece bem.
Nyra tentou sorrir.
— Eu estou bem.
Kael não acreditou.
— Nyra…
Ela suspirou.
— É apenas cansaço.
Kael cruzou os braços.
— Isso não parece apenas cansaço.
Nyra desviou o olhar.
Por um momento, pensou em contar o que havia visto.
Draven.
Vespera.
A clareira.
Mas algo dentro dela a impediu.
Porque se ela dissesse em voz alta…
Aquilo se tornaria real.
— Eu vou ver o curandeiro mais tarde — disse finalmente.
Kael assentiu, embora ainda estivesse preocupado.
— Eu posso chamar alguém agora.
— Não precisa.
Kael a observou por mais alguns segundos.
Então falou algo que fez Nyra congelar.
— Você viu Draven hoje?
Nyra tentou manter a expressão neutra.
— Sim.
Kael franziu levemente a testa.
— Ele está… estranho ultimamente.
Nyra olhou para ele rapidamente.
— Estranho?
Kael suspirou.
— Ele tem se afastado. Das reuniões. Das decisões importantes.
— Talvez esteja apenas cansado.
Kael ficou em silêncio por um momento.
— Talvez.
Mas o tom dele dizia que ele não acreditava nisso.
Nyra sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Então não era apenas impressão dela.
Outras pessoas também estavam percebendo.
— Luna… — disse Kael. — Se algo estiver acontecendo…
Nyra balançou a cabeça.
— Não está.
Mentira.
Mas ela precisava acreditar nisso.
Kael acabou assentindo.
— A reunião com as alcateias do norte foi cancelada.
Nyra piscou.
— Cancelada?
— O Alfa decidiu adiar.
Ela franziu a testa.
— Ele não comentou nada comigo.
Kael hesitou.
— Ele tomou a decisão esta manhã.
Nyra sentiu o estômago apertar.
Draven sempre discutia decisões importantes com ela.
Sempre.
Até agora.
Kael percebeu o silêncio dela.
— Nyra…
— Eu estou bem — disse ela rapidamente.
Ele suspirou.
— Se precisar de mim…
— Eu sei.
Kael inclinou a cabeça respeitosamente e saiu do quarto.
Assim que a porta se fechou…
Nyra deixou escapar o ar que estava prendendo.
O quarto parecia mais silencioso do que antes.
Mais vazio.
Ela caminhou lentamente até a janela.
A floresta estava calma.
Mas algo dentro dela não estava.
Seu lobo interior estava inquieto.
Agitado.
Como se estivesse tentando alertá-la de algo.
E então…
A dor voltou.
Dessa vez…
Muito mais forte.
Nyra levou a mão à boca para impedir um gemido.
Seu corpo se curvou.
A respiração ficou difícil.
Era como se algo estivesse apertando seu coração.
— Não… — murmurou.
Ela tentou dar um passo.
Mas suas pernas falharam.
O chão se aproximou rápido demais.
A última coisa que Nyra viu antes de perder a consciência…
Foi a lua pálida refletida no vidro da janela.
E uma única pergunta ecoando em sua mente.
Será que eu estou morrendo?







