Eu descobri pela televisão.
Não foi Henrico quem contou.
Não foi um funcionário cochichando nos corredores.
Não foi um e-mail misterioso ou uma ligação anônima.
Foi a imagem.
O rosto dela.
Vivo.
Eu estava na sala menor, aquela onde Aurora costumava desenhar, com a televisão ligada apenas para preencher o silêncio. Não prestava atenção de verdade. Era um daqueles fins de tarde em que o cansaço se acumula sem barulho, quando o corpo está presente, mas a mente vagueia.
Até que ouvi o nome.
O sobrenome.
Albuquerque.
Levantei o olhar no mesmo instante.
A apresentadora falava com um tom profissional, mas carregado de surpresa, como se estivesse consciente de que aquela notícia não era comum.
A câmera cortou.
E então ela apareceu.
Camila Albuquerque.
Mais magra.
O cabelo mais curto.
O olhar diferente.
Mas inegavelmente viva.
Meu coração disparou.
A legenda na tela dizia algo sobre uma entrevista exclusiva concedida por uma mulher que havia sido dada como morta anos antes. Uma ex-esposa de um