A casa estava estranhamente silenciosa naquela manhã. Não era o silêncio comum da mansão Albuquerque, aquele que parecia imposto pelas paredes altas e pelo mármore frio. Era um silêncio expectante, como se algo estivesse prestes a acontecer e a própria casa estivesse prendendo a respiração.
Eu sentia isso desde que acordei.
Talvez fosse o efeito das palavras de Henrico na noite anterior. Talvez fosse o peso das novas regras, que ainda ecoavam na minha cabeça como um lembrete constante de que eu precisava ocupar menos espaço. Comer nos horários corretos. Descansar quando fosse instruída. Não interpretar gestos como sentimentos.
Como se sentimentos pudessem simplesmente obedecer ordens.
Preparei o café da manhã de Aurora com cuidado, mesmo sabendo que ela raramente comia muito. O prato ficou quase intacto, como sempre, mas ela se sentou à mesa comigo, os pés balançando levemente, o caderno de desenhos ao lado do prato. Observei enquanto ela desenhava em silêncio, concentrada, os lábios