Depois que Aurora falou meu nome, a casa nunca mais pareceu a mesma.
Não porque algo visível tivesse mudado, mas porque o silêncio ganhou outra textura. Antes, ele era rígido, defensivo, quase hostil. Agora, parecia atento, como se observasse cada passo, cada respiração, cada pensamento que ousasse existir fora do controle imposto por anos naquela mansão.
Aurora voltou ao desenho como se tivesse apenas respirado um pouco mais fundo. Como se falar não tivesse sido um evento histórico, mas um movimento natural do corpo dela naquele instante específico. Para mim, para Henrico, para a casa inteira, foi um terremoto silencioso.
Henrico continuava parado.
Não se aproximava.
Não se afastava.
Ele apenas existia ali, com os ombros tensos demais, as mãos fechadas em punhos discretos, o olhar preso à filha como se tivesse medo de piscar e perder algo que jamais acreditou que veria novamente.
Eu sentia o conflito dele mesmo sem olhar diretamente.
Era quase físico.
Aurora se levantou depois de alg