Eu nunca pensei que fosse ter sorte num aeroporto — e muito menos dentro de um avião. Mas quando me acomodei naquela poltrona larga, reclinei alguns centímetros e senti o tecido macio tocar meus ombros, a sensação foi quase… VIP. Eu não estava acostumada com esse tipo de coisa. Meu cartão de crédito também não.
“Upgrade por conta do transtorno”, tinham dito. Ok, transtorno é pouco para o caos que tinha virado a fila de embarque.
Soltei um suspiro discreto, ajeitando a manta sobre as pernas. Primeira classe tinha um silêncio próprio, como se alguém tivesse desligado o mundo lá fora.
Mas assim que olhei para frente, tentando encontrar a telinha com opções de filme, percebi algo muito mais… interessante.
Ele estava me olhando. De novo.
O homem do blazer preto — aquele que já tinha notado no portão, alto demais para ser ignorado, com rosto masculino marcado por ângulos fortes. E aquele perfume… eu ainda sentia notas amadeiradas quando ele passou, horas atrás.
Ele virou o rosto