O aviso de atar os cintos acendeu-se acima de nossas cabeças, e a comissária passou fazendo uma checagem final. Eu ajeitei o cinto mais por hábito do que por necessidade — nada naquele avião poderia realmente me ferir — mas ela precisava daquele tipo de proteção.
Observá-la se ajustar na poltrona era como ver uma cena familiar em outro corpo, outra vida. A forma como passava os dedos pelo tecido do cinto, distraída; como respirava profundamente ao ouvir o motor ganhar força; como pressionava os lábios ao encarar a janela.
Ela sempre observou o céu antes das batalhas.
Ela sempre olhou para o horizonte com aquela mesma inquietação.
O rosto dela, banhado pela luz azulada do amanhecer que entrava pela janela, parecia ainda mais... antigo. Como se a alma estivesse tentando alcançar a superfície da pele.
Eu me recostei, mas meus olhos nunca deixaram os dela.
O avião se moveu para a pista, acelerando. Derik mexeu no relógio, um pouco desconfortável — ele odiava voar. Eu, por outr