POV: Yara
Os dias seguintes passaram como uma sequência estranhamente organizada.
Roma deixou de ser apenas impacto e começou a se tornar rotina. Eu caminhava pelas mesmas ruas, reconhecia cafés, aprendia o ritmo dos semáforos e o humor dos motoristas. Ainda assim, algo permanecia fora do lugar — como uma nota levemente desafinada em uma melodia perfeita.
Naquela manhã, acordei mais cedo do que o necessário.
Escolhi roupas que refletiam quem eu acreditava ser: calça de alfaiataria clara, camisa de seda branca, blazer bege estruturado. Prendi o cabelo em um rabo baixo, discreto, e passei pouca maquiagem. Queria parecer profissional. Invisível, se possível.
A universidade ficava em um prédio antigo, reformado com respeito à própria história. Paredes de pedra clara, janelas altas, pátios internos que respiravam séculos de conhecimento. Ao atravessar o portão principal, senti algo familiar demais.
Não era nostalgia.
Era pertencimento.
Respirei fundo e segui o fluxo de estudantes. Havia lí