Lena Aris
Entrei no salão sozinha, sentindo o peso de cada cristal do lustre sobre meus ombros, como se aquelas gotas de vidro fossem facas prontas para cair. Eu era uma intrusa em um santuário de opulência fria, perdida entre rostos que não eram humanos, mas máscaras de porcelana moldadas pelo cinismo e pelo sangue. O ambiente exalava um ar vitoriano sufocante; a música clássica não flutuava, ela rastejava como um nevoeiro espesso, e as conversas, embora baixas, carregavam o eco de um único no