Bianca mordeu o lábio inferior. As palavras de Ariella eram frias, práticas, quase políticas. Era como se toda a conversa fosse uma transação, um cálculo de benefícios.
— Então é isso? — perguntou, com um fio de voz. — A senhora acredita que o Matteo deve casar com a Darya apenas por interesse?
Ariella voltou-se devagar e pousou o olhar sobre ela.
— Eu acredito que o Matteo deve seguir o que o coração lhe diz — respondeu. — E, neste momento, o coração dele pertence a Darya.
O silêncio que se seguiu foi espesso como fumo. Bianca sentiu o peito apertar, mas manteve o rosto sereno.
— Entendo — disse, forçando um sorriso. — Mesmo assim, agradeço as suas palavras. Ajudam-me a perceber o que tenho de fazer.
Ariella acenou com a cabeça, sem mais nada acrescentar.
Bianca levantou-se, pegou na sua mala e encaminhou-se para a saída. O som dos saltos ecoou pelo mármore do vestíbulo até à grande porta dupla.
Antes de sair, voltou-se por um instante. Ariella já se afastava na direç