O silêncio naquela casa deixara de ser apenas desconfortável; tornara-se denso, quase físico, como se ocupasse espaço em cada divisão e se infiltrasse nos gestos mais banais. Darya sentia-o ao atravessar os corredores, na forma como os empregados ajustavam imediatamente a postura quando ela passava, nos olhares breves que evitavam prolongar-se mais do que o necessário. Nada parecia espontâneo. Cada movimento era contido, cada palavra medida com cuidado excessivo, como se qualquer desvio pudesse