Ponto de Vista: Leonardo
Eu dirigi as quatro horas do Rio de Janeiro até aqui sentindo como se estivesse atravessando um portal. O meu SUV alemão, com seu motor silencioso e bancos de couro que cheiravam a carro novo, parecia um intruso naquela estrada de terra batida que levava a Porto do Silêncio. Eu mantive as janelas fechadas e o ar-condicionado no máximo até cruzar a placa da vila, mas ali, no limite entre o meu mundo e o dela, eu desliguei tudo. Abri os vidros e deixei que o ar úmido e salgado invadisse a cabine.
Eu estava exausto. A semana de lançamento tinha sido um moedor de carne. Foram dezenas de entrevistas, sorrisos ensaiados para câmeras de alta definição e a pressão constante da gravadora para que eu aproveitasse o "engajamento" do mistério. Mas cada vez que um jornalista me perguntava sobre a "musa do isolamento", eu sentia um aperto no peito. Eu cumpri cada contrato. Cantei minhas novas músicas em rede nacional e vi meu nome estampar o topo das paradas mundiais. Eu er