NOAH
O som do tiro rasga o ar.
Por um segundo, o mundo inteiro para.
Depois, tudo acontece rápido demais.
— ELLA!
Eu corro. Não penso. Não sinto o chão sob meus pés, não escuto ninguém gritando meu nome, não vejo policiais se movendo ao meu redor. Meu corpo simplesmente responde ao pânico que explode no peito.
Ela está no chão.
Imóvel.
O sangue.
Meu coração falha uma batida inteira.
Eu caio de joelhos ao lado dela, as mãos tremendo enquanto toco seu rosto.
— Ella… amor… olha pra mim… por favor…
Ela não responde.
O desespero sobe como fogo pela garganta. Meus olhos percorrem o corpo dela em busca de um ferimento, qualquer sinal de que o tiro tenha sido nela. Minhas mãos passam pelos ombros, pelos braços, pela lateral do corpo.
Não há buraco de bala.
Não há sangue vindo de fora.
O alívio vem tão violento que quase me derruba.
— Ela não foi atingida! — eu grito, a voz quebrada. — Ela não foi atingida!
Mas o sangue… o sangue continua ali, escorrendo pelas pernas dela.
— Ela está sangrando