ELLA
O apartamento estava silencioso demais para o fim de tarde.
Silencioso daquele jeito que faz a gente ouvir os próprios pensamentos — e eles nunca são gentis.
Eu estava sentada no sofá, com as pernas recolhidas e uma manta fina sobre o colo, o celular apoiado em uma almofada enquanto Olívia falava do outro lado da tela. O rosto dela aparecia dividido entre preocupação e aquele esforço típico de quem tenta parecer normal quando tudo está longe disso.
— E como você está… de verdade? — ela per