ELLA
O apartamento estava silencioso demais para o fim de tarde.
Silencioso daquele jeito que faz a gente ouvir os próprios pensamentos — e eles nunca são gentis.
Eu estava sentada no sofá, com as pernas recolhidas e uma manta fina sobre o colo, o celular apoiado em uma almofada enquanto Olívia falava do outro lado da tela. O rosto dela aparecia dividido entre preocupação e aquele esforço típico de quem tenta parecer normal quando tudo está longe disso.
— E como você está… de verdade? — ela perguntou, inclinando a cabeça.
Suspirei devagar antes de responder.
— Melhor. Cansada. Assustada ainda… mas melhor. — Passei a mão pela barriga num gesto quase inconsciente. — O médico disse que é normal eu me sentir assim depois de tudo.
— Normal não deveria incluir sequestro, ameaça e sogro criminoso — ela murmurou, arrancando um meio sorriso meu.
— Pois é… — balancei a cabeça. — Mas aqui estamos.
Eu ia continuar quando ouvi a porta se abrindo. Meu corpo reagiu antes da mente. O coração acelerou